domingo, 23 de dezembro de 2012

Natal



Murilo Mendes
 
 
Meu outro eu angustiado desloca o curso dos astros, 
atravessa os espaços de fogo e toca a orla do manto divino.O ser dos seres envia seu Filho para mim, para 
os outros que O pedem e para os que O esquecem.
Uma criança dançando segura uma esfera azul com a cruz:
Vêm adorá-la brancos, pretos, portugueses, turcos, alemães,
russos, chineses, banhistas, beatas, cachorros e bandas de música.
A presença da criança transmite aos homens uma paz inefável
que eles comunicam nos seus lares a todos os amigos e parentes.
Anjos morenos sobrevoam o mar, os morros e arranha-céus,
desenrolando, em combinação com a rosa-dos-ventos,
grandes letreiros onde se lê: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS
E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sobre o protesto de alunos evangélicos contra trabalho escolar sobre a cultura afro-brasileira



Por Hermes C. Fernandes
Um grupo de 13 alunos evangélicos do ensino médio da escola estadual Senador João Bosco Ramos de Lima, Manaus, se recusaram a fazer um trabalho sobre a cultura afro-brasileira, gerando polêmica entre os grupos representativos étnicos culturais do Amazonas.
Os estudantes se negaram a defender o projeto interdisciplinar sobre a ‘Preservação da Identidade Étnico-Cultural brasileira’ alegando que o trabalho faz apologia ao “satanismo e ao homossexualismo”, o que contraria a sua crença.
Por iniciativa própria, e sob orientação de seus pastores e pais, os alunos fizeram um projeto sobre as missões evangélicas na África, que não foi aceito pela escola. Por conta disso, os alunos acamparam na frente da escola, protestando contra o trabalho sobre cultura afro-brasileira, atitude que foi considerada um ato de intolerância étnica e religiosa. Segundo o professor Raimundo Cardoso, “Eles também se recusaram a ler obras como O Guarany, Macunaíma, Casa Grande Senzala, dizendo que os livros falavam sobre homossexualismo”.
Para os alunos, a questão deve ser encarada pelo lado religioso. “O que tem de errado no projeto são as outras religiões, principalmente o Candomblé e o Espiritismo, e o homossexualismo, que está nas obras literárias. Nós fizemos um projeto baseado na Bíblia”, alegou uma das alunas.
Blogs de orientação evangélica conservadora lamentaram o episódio, noticiando que estas crianças teriam sofrido uma espécie de bullying motivado por preconceito.
Já dizia Paulo que tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Se semearmos preconceito, fatalmente colheremos o mesmo. De onde partiu o preconceito neste episódio?
Ora, a sociedade brasileira tem sofrido influência de tantas culturas, entre elas a africana.  Que mal tem reconhecer a riqueza cultural africana? Será que tudo o que vem de lá deve ser rechaçado?
As práticas fetichistas e animistas atribuídas às religiões afro-brasileiras não são piores do que as praticadas há milênios por nossos ancestrais europeus. Matança de animais, oferendas diversas, culto a entidades e aos antepassados, tudo isso pode ser encontrado com fartura em nossa herança europeia. Preferimos ignorar isso e atribuir à África tudo o que reputamos por superstição barata, idolatria e feitiçaria.
A influência da cultura africana não se restringe á religiosidade. Nossa música, nossos hábitos alimentares, nosso espírito festeiro, e até nosso vocabulário sofreram forte influência do continente que é o berço da civilização humana.
E sinceramente, deveríamos estudar sua religiosidade da mesma maneira como estudamos as mitologias grega e nórdica. Mas nosso preconceito nos impede disso. É preferível demonizar toda uma cultura a expor nossos filhos à sua nefasta influência.
Somos os salvadores do mundo! Nossos missionários são agentes civilizadores, e onde quer que cheguem, levam, não apenas o Evangelho, mas também nossa cosmovisão, nossos hábitos alimentares, nossa música, nossa indumentária, nosso modelo ocidental de vida. Confundimos evangelização com aculturação. Reputamos nossa cultura superior às demais. Quanta presunção!
É claro que os missionários levaram muita coisa boa consigo, tanto para África, quanto para tantos outros rincões. Mas também levaram coisas das quais deveríamos corar de vergonha. Por exemplo: o APARTHEID, regime implantado pelo protestantes de orgiem holandesa que promoveu a segregação racial na África do Sul. Semelhantemente, recebemos muita coisa boa da África, e não apenas suas crenças.
O que seria de nós sem o tempero cultural africano? Sem a música que embala nossas festas? Sem o jazz, o blues, o samba, o rock?
Praticamos karatê, judô, e outras artes marciais orientais, mas abominamos a capoeira, pelos simples fato de  ser procendente da África.
Não há culturas superiores e inferiores. Assim como temos o que compartilhar com outras culturas, também temos o que aprender delas. Por isso, há que se manter o canal de diálogo aberto, desobstruído de preconceito.
Nossas crianças precisam aprender a respeitar a diversidade. E não só respeitar, mas também apreciar, admirar.
O profeta Isaías diz que as nações trariam suas riquezas culturais para a Cidade de Deus, a Nova Jerusalém, a sociedade erigida ao redor do Trono da Graça. Nela não entrará impureza, pecado, preconceito, injustiça. Porém, a música, a dança, as cores, e qualquer outra contribuição cultural que não atente contra a dignidade humana e a santidade do nosso Deus, são bem-vindas à civilização do amor.
Pelo jeito, temos mesmo um longo caminho a percorrer, até aprendermos a arte da coexistência. E para tal, temos que cultivar uma fé bem alicerçada, aquela que opera pelo amor, e que, por isso, não se sente ameaçada pela diversidade. 

Me deu até vontade de comer um cuscuz baiano...

http://www.hermesfernandes.com/2012/11/sobre-o-protesto-de-alunos-evangelicos.html

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

[Blog do Ciro] ®: Esse crente sou eu

[Blog do Ciro] ®: Esse crente sou eu: O crente que dorme pensando em dinheiro/ Que sonha com dólar, real e muito euro/ Que pensa que a vida não tem tribulação/ Onde está o teso...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Operário Em Construção


E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DEUS É O EVANGELHO - JOHN PIPER


Você já se perguntou por que o perdão de Deus tem algum valor? E quanto à vida eterna? Você alguma vez se perguntou por que uma pessoa iria querer ter vida eterna? Por que deveríamos desejar viver eternamente? Estas indagações têm importância porque é possível querer o perdão e a vida eterna por razões que provam que você não os tem.

Vejamos o perdão, por exemplo. Você pode desejar o perdão de Deus porque é muito infeliz com sentimentos de culpa. Você quer apenas um alívio. Se você crê que Ele o perdoa, então terá algum refrigério, mas não necessariamente a salvação. Se deseja o perdão simplesmente por causa de alívio emocional, não terá o perdão de Deus. Ele não o dá para aqueles que o usam unicamente para obter as Suas dádivas e não desejam ter a Ele mesmo.

Ou você pode querer ser curado de uma enfermidade ou conseguir um emprego ou encontar um cônjuge. Você então toma conhecimento de que Deus pode ajudá-lo a conquistar estas coisas, mas que primeiramente os seus pecados deveriam ser perdoados. Alguém orienta você a crer que Cristo morreu pelos seus pecados, e que se você crer nisto, seus pecados serão perdoados. Você então crê a fim de remover o obstáculo à saúde, ao emprego, e ao cônjuge. Essa é a salvação do evangelho? Penso que não.

Em outras palavras,importa o que se espera obter através do perdão. Importa o porquê de desejá-lo. Se quiser o perdão exclusivamente pelo interesse de saborear a criação, então o Criador não é honrado e você não está salvo. O perdão é precioso por uma razão definitiva: ele o capacita a desfrutar comunhão com Deus. Se não quiser o perdão por essa razão, não o terá de maneira alguma. Deus não será usado como moeda para a aquisição de ídolos.
Semelhantemente, perguntamos: por que queremos vida eterna? Alguém pode dizer: porque o inferno é a alternativa, e essa é dolorosa. Outro pode dizer: porque não haverá tristeza lá. Outro pode dizer: meus entes queridos foram para lá e quero estar com eles. Outros podem sonhar com sexo e comida incessantes. Ou riquezas mais nobres. Em todos estes propósitos uma coisa está faltando: Deus.

O motivo salvífico para se querer a vida eterna é apresentado em João 17.3: "Esta é a vida eterna: que Te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Se você não desejar a vida eterna porque esta representa satisfação em Deus, então você não terá vida eterna. Simplesmente mentimos a nós mesmos que somos cristãos, se usarmos o glorioso evangelho de Cristo para conseguir o que amamos mais do que a Cristo. As “boas novas” não se mostrarão boas a ninguém para quem Deus não seja o benefício principal.

Esta está a maneira como Jonathan Edwards expressa estas verdades em um sermão para o seu povo em 1731. Leia o texto lentamente e deixe-o despertá-lo à verdadeira excelência do perdão e da vida.
"Os redimidos têm todos os seus reais benefícios em Deus. O próprio Deus é o maior bem que possuem e desfrutam por meio da redenção. Ele é o bem mais sublime, e a soma de todos os benefícios que Cristo adquiriu. Deus é a herança dos santos; Ele é a porção de suas almas. Deus é a sua riqueza e o seu tesouro, seu alimento, sua vida, sua moradia, seu adorno e diadema, sua honra e glória eternas. Eles não têm ninguém no céu, além de Deus; Ele é o grande bem a quem os redimidos são acolhidos na hora da morte, e para o qual eles ressuscitarão no fim dos tempos. O Senhor Deus, Ele é a luz da Jerusalém celestial; é o “rio da água da vida” que corre, e a árvore da vida que cresce, “no meio do paraíso de Deus”. As magníficas excelências e beleza de Deus serão o que, por todo o sempre, nutrirão os pensamentos dos santos, e o amor de Deus será o seu banquete eterno. Os redimidos desfrutarão de outras coisas; eles desfrutarão dos anjos, e desfrutarão uns dos outros: mas o que eles apreciarão nos anjos e uns nos outros, ou em qualquer outra coisa, o que irá conceder-lhes gozo e satisfação, será o que, de Deus, é visto neles."(Os Sermões de Jonathan Edwards: Um Leitor [New Haven: Yale University Press, 1999], pp. 74-75)
Deleitando-me em Deus através do evangelho, com você,
Pastor John

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Somos todos cadelas




Somos todos cadelas
Rosnando a quem se aproxime
Ou ameace nossos interesses.

São planos e bens
Visões do além
Crenças, opções sexuais
Que abraçamos acima de tudo e de todos
 E ai de quem fale contra, de quem ouse contrariar
Ai de quem manifeste  contrariedade
Ou tente nos questionar.
A sociedade não importa,
Mostramos os dentes
Porque somos cadelas em frente à cria de nossas histórias
São vidas vazias, são outras memórias
Pecado social (injustiça institucionalizada): eu defendo o que é meu
Ai de quem ultrapassar minha fronteira.
Sou cadela enfurecida, uso a lei a meu favor,
E mesmo quando se manifesta em prol do que lhe é próximo
Ganha IBOPE com isso, alimenta seu ego, planos e labor.
Somos todos cadelas no ninho a rosnar.
Somos todos injustos, cada um buscando seu interesse
Erguendo o punho a praguejar
Contra o diferente, o estranho, aquele que me vem discordar
Não vivemos mais juntos, não nos unimos, não lutamos uns pelos outros.
Somos ingratas cadelas
Preocupados em defender nossos deuses sem nenhuma capacidade de olhar para quem se encontra ao nosso lado, muito menos lhe estender a mão.
Deus não precisa de advogados, não há quem possa defendê-lo. Nunca Ele manifestou desejo de que fôssemos contra os que inventam argumentos para refutar nossa fé.
Mas como cadelas em torno de nossa cria que nada mais é que um deus inventado que precisa ser defendido, precisa ser  ajudado com nossas orações de poder, nos levantamos em fúria, em nossas manifestações  e campanhas para desmoralizar aqueles a quem deveríamos amar.
Porque se Deus, a quem precisamos amar acima de todas as coisas, se fez carne, tornando-se um homem, fica evidente que precisamos amar a humanidade – a cara que Deus assumiu.
Mas cadelas não amam. Cadelas agem por instinto, apegadas em seu zelo por sobrevivência. 
Como cadelas vagamos  agarrados em nossas opções sexuais, lutando com unhas e dentes contra os diferentes.  Não os amamos, não os recebemos em nossas casas, não os queremos visíveis aos nossos olhos.
Porque somos cadelas, e certas escolhas ferem nossas convicções. E cadelas não sabem amar.
Como cadelas gritamos contra os que se entregam a cultos religiosos com os quais não concordamos. São visões diferentes, estranhas, e não pensamos numa possibilidade de convivência pacífica. Porque somos cadelas, tal convivência não interessa, contanto que se defenda somente o que se concorda.
Nossa cria são nossas visões cristalizadas, as condições que impomos aos outros para que se aproximem de nós, os planos dos quais não abrimos mão, as decisões sobre as quais não permitimos questionamento, são nossos preconceitos, os rótulos que colocamos sobre as pessoas. Cada item defendido como se não houvesse outra opção, como se o mundo girasse em torno de nossas cabeças – nos tornamos os deuses de nós mesmos, as cadelas enfurecidas prontas para atacar o primeiro que se atrever a ameaçá-las.
Quando deixarmos de agir como cadelas neste mundo de ninguém, olharemos mais para o outro do que para o próprio umbigo, e o Reino de Deus que é coletivo poderá ser instaurado em pessoas que lutam contra a injustiça, ainda que institucionalizada, buscando a paz e priorizando o pobre, o excluído e o marginalizado, como Jesus fez.
Se não quisermos mudar de atitude, de pensamento, nem de prioridades, não seremos nada além de cadelas numa geração consumista e alienada das conseqüências do que faz.
Cadelas egoístas, que usam seus relacionamentos a fim de proteger seus objetivos.
Cadelas. Nada mais que cadelas.

Angela Natel
29/08/2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Seja uma Mulher-Maravilhosa


Quem não se lembra de quando criança querer ser um super-herói? Pois é, eu me lembro que no meu tempo, enquanto os meninos queriam ser o Super-Homem, as meninas admiravam e desejavam ser a Mulher-Maravilha – com aqueles cabelos impecáveis, corpo escultural, braceletes indestrutíveis, laço mágico e um jato invisível de causar inveja ao Air Force One de Barack Obama; fora a tiara que podia ser usada como bumerangue, a força física sobre-humana e a velocidade de tirar o fôlego. Tempos bons que não voltam mais aqueles de criança!

Meninas atuarem Mulher-Maravilha ainda vá lá, afinal, faz parte da infância brincar no mundo da fantasia, mas mulheres tentarem bancar esta heroína com superpoderes, além de ridículo, pois já são crescidinhas, é cultivar a frustração. Pois Deus, quando criou a mulher, imaginou uma pessoa idônea, companheira e ajudadora do homem, ou seja uma Mulher-Maravilhosa e não uma Mulher-Maravilha (Gn 2.18).

Mas o feminismo conseguiu convencer as mulheres de que elas não precisam dos homens e que podem fazer tudo sozinhas, pois possuem habilidades quase superpoderosas. O problema é que "o feminismo não foi honesto com as mulheres", afirmou Camille Paglia, intelectual e escritora americana que se diz dissidente do feminismo do final da década de 1960.

Em entrevista à revista ÉPOCA (05/03/12 – pg. 88-90), Paglia diz que o movimento iludiu uma geração inteira ao afirmar que era possível cuidar da carreira primeiro e ter filhos e/ou família depois. Quando essas profissionais finalmente decidiram constituir família e ter filhos, "elas não conseguiram encontrar parceiros ou tiveram problemas de fertilidade. Seus planos foram frustrados pela natureza. As feministas estavam erradas ao exaltar a mulher profissional como mais importante que a mulher mãe e esposa".

Perguntada sobre por que as mulheres sofrem para se sentir realizadas, Camille respondeu que "a infelicidade que muitas mulheres sentem hoje resulta em parte da incerteza delas sobre quem são e sobre o que querem nesta sociedade materialista, voltada para o status, que espera que a mulher se comporte como homem [forte e poderosa – Mulher-Maravilha] e ainda seja capaz de amar como mulher. (...) Mas homens e mulheres sentem e expressam emoções de maneira diversa, porque os hormônios atingem o cérebro dos dois sexos em níveis diferentes".

Deus não muda. A essência da mulher também não. Ela deve ser ajudadora e não cabeça. Deve ser companheira e não competidora. Idônea e não indiscreta. E quando tentam mudar isso, o resultado é fracasso, frustração e muitas amarguras. Todos temos ouvido relatos de mulheres financeiramente independentes, realizadas profissionalmente e belas fisicamente, mas infelizes, pois o desejo mais profundo delas é se realizarem como mulheres, tal qual foram planejadas por Deus.

Quando uma "dissidente" do movimento feminista bota a boca no trombone e declara que a ideologia corrente é no mínimo desonesta, nós, o povo de Deus, deveríamos parar para pensar. Povo de Deus, as pedras estão clamando! Ouça o que o Espírito diz à Igreja. Se há realização plena para o ser humano, a mulher aqui em questão, esta não está nos padrões deste mundo, mas nos ideais da Palavra de Deus.

Pare de bancar a Mulher-Maravilha. Seja, sim, uma Mulher-Maravilhosa. Sabe por quê? "Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera. A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada" (Pv 31.29-30).

Mulher-Maravilha não existe. É coisa de criança. É fantasia. Mulher-Maravilhosa existe. É projeto de Deus. É realidade. Seja uma Mulher-Maravilhosa.




Fonte: Igreja Batista Central de Campinas


http://libertosdoopressor.blogspot.com.br/2012/08/seja-uma-mulher-maravilhosa.html

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com todos.




Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israelexperimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios.

E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade.E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

Quanto ao evangelho, eles são inimigos por causa de vocês; mas quanto à eleição, (eles) são amados por causa dos patriarcas, pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.

Assim como vocês, que antes eram desobedientes a Deus mas agora receberam misericórdia, graças àdesobediência deles, assim também agora eles se tornaram desobedientesa fim de que também recebam agora misericórdiagraças à misericórdia de Deus para com vocês.

Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com  todos

(Romanos 11:25-32)


Desde o capítulo 9 de Romanos, Paulo está falando do povo de Israel (Romanos 9:3-4) e inclusive lamenta pela incredulidade deles, sendo que neste mesmo capítulo ele faz a distinção entre os judeus filhos legítimos da promessa e os demais (9:7-8). Ele prossegue falando da doutrina da eleição (cuja ordem lógica ele já havia mencionado em Romanos 8:28-33) .

No capítulo 10 ele frisa o fato dos judeus buscarem a salvação pelas obras da Lei, e inicia seu discurso de igualdade entre judeus e gentios referente à salvação pela Graça (10:10-12). Desde os primeiros capítulos do livro de Romanos, Paulo já havia demonstrado que  todos (judeus e gentios)são indesculpáveis perante Deus (1:21), mesmo que não tivessem o conhecimento da Lei (2:15) e que  todos (judeus gentios) não buscam a Deus, não são justos (3:10-12).

Então no capítulo 11 ele mostra que o povo judeu era considerado a videira natural (pois recebeu a revelação divina e o próprio Messias partiu deste povo), mas que a partir da rejeição desse povo os gentios foram enxertados (11:7-11).. 

Desta forma, desde o capítulo 9 há essa distinção entre gentios judeus, em relação ao propósito de Deus e o "desenrolar" do plano da salvação, e desde o início do livro é demonstrado que ambos os grupos estão debaixo do pecado e necessitam de salvação.

Dito isso, fica muito mais claro o versículo 32:

"Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com todos."

Todos = gentios + judeus.

 A grande distinção que os próprios judeus faziam em relação aos gentios é então "quebrada" por Paulo, ao demonstrar que ambos os grupos era constituído de pecadores, injustos; que igualmente se tornaram alvo da misericórdia divina.

"Todosnão significa "todos os indivíduos do mundo", ou teríamos que crer em uma salvação geral de todas as pessoas (universalismo), além do fato de que essa ideia tornaria estranho um outro versículo:

Pois ele diz a Moisés: "Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão".

(Romanos 9:15)

Se crermos que essa misericórdia se estende igualmente sobre todos então esse versículo acima se torna inútil e sem sentido, apenas um enfeite na bíblia (para não dizer que gera uma contradição).

Deus exerce Sua Soberania sobre a salvação e ela inclui tanto gentios  quanto  judeus como alvo dessa misericórdia, então não faz qualquer sentido pensarmos que esse versículo (11:32) anula tudo aquilo que vinha sendo exposto até então no livro, sobre a eleição e a justificação pela fé. O uso do termo "pois" confirma que este versículo traz uma justificativa, uma explicação sobre o contexto que vinha sendo tratado anteriormente no livro, então não tem cabimento interpretar nesse versículo uma suposta salvação geral sem comprometer todo o livro de Romanos.

O que podemos entender é que, no grupo dos salvos não existe acepção entre judeus e gentios, há pessoas que originalmente pertenciam aos 2 grupos, sendo que a divisão que realmente existe é justamente entresalvos (eleitos) não-salvos (não-eleitos), e este é assunto para a próxima postagem.. 

;)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A "Causa Primeira" dispensa o uso da bíblia



Nota: O raciocínio cosmológico afirma que tudo que começou a existir tem uma causa. Se o Universo veio a existir, então nem sempre ele existiu. Logo, o Universo tem uma Causa Primeira.
Alguém pode pensar que você precisa confiar numa Bíblia ou em algum outro tipo de assim chamada revelação religiosa para responder a essa pergunta, mas, outra vez, não precisamos de nenhum livro sagrado para descobrir isso.

Albert Einstein estava certo quando disse: "A ciência sem a religião é aleijada; a religião sem a ciência é cega". A religião pode tanto ser informada quanto confirmada pela ciência, como acontece no caso do argumento cosmológico, ou seja, podemos descobrir algumas características da Causa Primeira simplesmente com base na evidência que discutimos neste capítulo. Dessa evidência, sabemos que a Causa Primeira deve ser:

Auto-existente, atemporal, não espacial e imaterial (uma vez que a Causa Primeira criou o tempo, o espaço e a matéria, a Causa Primeira deve obrigatoriamente estar fora do tempo, do espaço e da matéria). Em outras palavras, não tem limites ou é infinita.
Inimaginavelmente poderosa para criar todo o Universo do nada.
Supremamente inteligente para planejar o Universo com precisão tão incrível (veremos mais sobre isso no capítulo seguinte).
Pessoal, com o objetivo de optar por converter um estado de nulidade em um Universo tempo-espaço-matéria (uma força impessoal não tem capacidade de tomar decisões).

Essas características da Causa Primeira são exatamente as características teístas atribuídas a Deus. Mais uma vez, essas características não são baseadas na religião ou em experiências subjetivas de alguém. Foram tiradas da comprovação científica* que acabamos de analisar e nos ajudam a ver uma seção importantíssima da tampa da caixa do quebra-cabeça que chamamos de vida.

Extrato do livro:
Não tenho fé suficiente para ser ateu (pgs 67 e 68)
Norman Geisler & Frank Turek
ISBN: 85-7367-928

Esclarecendo:

O capítulo 3 do livro trata sobre evidências científicas do Big Bang, i.e, de que o Universo teve um começo, e de que, esse início aponta para uma Causa Primeira.

Dica preciosa do Alexandre do Christian-Nerd-Brasil

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Arcebispo Anglicano e ganhador do Nobel da Paz afirma: Deus não é monopólio da fé cristã Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/08/arcebispo-anglicano-e-ganhador-do-nobel.html#ixzz23RpLXjcO Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike



Arcebispo Desmond Tutu diz que Deus não é monopólio da fé cristã.


CRISTIANISMO HOJE
Por Carlos Fernandes

Não é muito comum um cristão relativizar sua crença a ponto de considerar outras religiões em pé de igualdade com ela. Menos ainda quando esse cristão é um líder respeitado dentro e fora de sua Igreja, e faz do Evangelho de Jesus a bandeira de sua atuação, de esfera mundial. Contudo, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, aos 80 anos de idade, pode dizer o que pensa sem medo de patrulhamento. É que ele já sofreu ao longo da vida o seu quinhão de questionamentos e restrições e hoje é uma personalidade global situada no mesmo patamar mítico de ilustres pacifistas como o conterrâneo Nelson Mandela, o indiano Mahatma Gandhi ou o tibetano Dalai Lama. A visão lúcida que tem da própria fé é o escopo do livro Deus não é cristão e outras provocações, organizado pelo jornalista – e também sul-africano – John Allen. A obra chegou ao país pela Thomas Nelson Brasil com a presença do próprio arcebispo, por ocasião do 5º Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação, em São Paulo.

O livro reúne diversos mensagens e discursos do religioso, arcebispo jubilado da Cidade do Cabo, o mais alto posto da Igreja Anglicana na África do Sul. Nobel da Paz em 1984, Tutu teve papel de protagonista na luta contra o regime racista do appartheid em seu país, extinto no início da década de 1990 sob a execração mundial. Tolerância, solidariedade, igualdade entre os homens e o amor divino perpassam as páginas, nas quais Tutu se revela extremamente doce e contundente ao mesmo tempo – sem abrir mão da polêmica, inclusive em temas espinhosos para os crentes em geral, como homossexualismo e ecumenismo.

Antes de sua chegada ao Brasil, o arcebispo Desmond Tutu atendeu com exclusividade a reportagem de CRISTIANISMO HOJE através de seus editores no Brasil:


CRISTIANISMO HOJE – O senhor lança Deus não é cristão em um momento de grandes contestações à fé que ainda é majoritária no mundo. Não teme estar relativizando a própria crença e reduzindo-a ao lugar comum que diz que “todos os caminhos levam a Deus”?

DESMOND TUTU – O cristianismo é relativamente novo no cenário do mundo – tem pouco mais de 2 mil anos. Compare-o, por exemplo, ao hinduísmo, ao budismo e ao judaísmo. Quem Deus teria sido antes do advento do cristianismo? E qual teria sido o lugar do judaísmo, uma vez que o cristianismo aceita em grande parte o que está contido na Bíblia hebraica como verdadeiro? Nenhuma religião possui toda verdade sobre Deus. Ele é infinito, e toda religião é, em medida insignificante, uma construção humana, de modo que não devemos nos envergonhar de aprender com outros. Nós seres humanos somos finitos e nenhum de nós conseguirá saber tudo sobre Deus, que é a fonte de toda bondade e de toda sabedoria. Podemos verdadeiramente dizer que somente os cristãos são sábios, inteligentes, santos ou bons? Então, o que falar de Mahatma Gandhi, Dalai Lama, Albert Einstein etc? Ora, Deus nos ama a todos. Cada um de nós é preciso a seus olhos, e cada religião tem percepções valiosas e válidas acerca do mistério de quem Deus é. Os cristãos não possuem o monopólio de nenhuma virtude. Esta é uma das razões pelas quais afirmamos que Deus não é cristão! Todos os seus filhos, sejam eles cristãos ou não, estão qualificados para receberem as muitas virtudes.


O senhor tem sido conhecido como apóstolo da tolerância e da reconciliação. Muitas das causas pelas quais tem se batido, contudo, continuam sem solução. Sente-se frustrado?

É claro que me sinto frustrado. Quando os opressores perceberão que estão sempre ao lado dos perdedores porque este é um universo moral? Por que eles causam tanto sofrimento quando, ao final, serão derrotados? Porém, não é uma frustração que me fará desistir da luta. Rapaz! Eu eu estou do lado vencedor!


A Igreja Anglicana tem sofrido sérios questionamentos ao redor do mundo por conta da ordenação de religiosos homossexuais, que já provocou sérios rachas. Afinal, homossexualidade é pecado? E, neste caso, por que a Igreja tem falhado em encontrar o ponto de equilíbrio entre a denúncia bíblica e o amor e respeito à pessoa do homossexual?

O amor jamais será pecado. Se duas pessoas se amam, isso é algo tremendo – trata-se de uma revelação do amor divino. Há muitas coisas que agora aceitamos e que a Bíblia declara serem erradas. Paulo parece ter aceitado a escravidão e disse que as mulheres não deveriam falar na igreja e que deveriam sempre ter suas cabeças cobertas. E nós o temos rejeitado em tais determinações com veemência. A Bíblia registra que Jesus condenou firmemente o divórcio. No entanto, muitas igrejas permitem que seus membros se divorciem e se casem novamente.


 Como a Igreja Cristã pode oferecer respostas cristãs convincentes em meio a uma sociedade como a ocidental, cada vez mais relativista e avessa a dogmas?

Eu me entristeço que, diante de tantas coisas erradas em nosso mundo tais como a pobreza, a doença, a fome, a corrupção, os distúrbios e as guerras, nós na Igreja estejamos concentrados na questão da sexualidade humana. O Senhor da Igreja deve estar muito triste. Ele que não veio para julgar e sim para salvar o mundo. Muitas pessoas se importam com as coisas do Espírito. Muitos oram, meditam, tentam ser compassivas e sensíveis; porém, são desencorajadas pela Igreja organizada, que gasta uma energia enorme, na maioria das vezes, com coisas que têm muito pouco a ver com o Reino de Deus. Olhem para as manifestações contra a guerra e a injustiça em muitas partes do mundo. Muitos desses manifestantes se sentem desanimados quando lembram que a Igreja está demasiadamente voltada para si mesma.


Lembrando que foram cristãos brancos que instituíram o appartheid, que ações poderiam ser encetadas para a conscientização efetiva dos cristãos acerca da intolerância?

Um perseguidor muçulmano é tão ruim quanto um perseguidor judeu, cristão ou de qualquer outra religião. Pessoas de todas as crenças são boas ou más. Minha esperança é que os adeptos de todas elas pertençam eles a uma comunidade multirreligiosa ou que os seguidores de uma única fé sejam compelidos por sua crença a se opor ao mal e a encorajar o bem.


A Igreja da África é das que mais crescem no mundo. Já se pode falar numa teologia cristã africana?

Desde que os povos africanos compreenderam que não tinham de ser “circuncidados” e se tornarem como os cristãos ocidentais, e sim, que poderiam e deveriam achegar-se a Deus como são. É por isso que o número de convertidos se multiplicou na África; hoje eles podem dançar sem constrangimento, podem tocar seus tambores. Há uma teologia africana vibrante, assim como na América Latina houve uma teologia da libertação viva e que tem nos influenciado.


O anglicanismo, assim como outras confissões históricas, professam o ecumenismo. No entanto, várias das crenças envolvidas no diálogo ecumênico têm diferenças fundamentais. Como fechar essa conta?

O ecumenismo não é apenas possível. Ele está acontecendo. Há iniciativas ecumênicas expressivas. Na África, temos a Conferência Toda a África de Igrejas, com base em Nairóbi [Quênia]. Cristãos trabalham juntos em prol da educação teológica, opondo-se à injustiça, encorajando a ecologia – e não apenas as denominações cristãs estão cooperando de maneira efetiva.

 





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