sábado, 28 de abril de 2012

Toda verdade começa em Deus

Qual é o antídoto para a divisão secular/sagrado? Como ter a certeza de que nossa caixa de ferramentas contém as ferramentas conceituais fundamentadas na Bíblia para cada assunto que encontrarmos? Temos de começar estando completamente convencidos de que há perspectiva bíblica sobre tudo, não apenas sobre assuntos espirituais.

O Antigo Testamento nos fala diversas vezes que "o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria" (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33). De modo semelhante, o Novo Testamento ensina que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3). Interpretamos estes versículos no sentido de sabedoria espiritual, porém o texto não estabelece limitação ao termo. "A maioria das pessoas tem a tendência de ler estas passagens como se dissessem que o temor do Senhor é o fundamento do conhecimento religioso", escreve Clouser. "Mas o fato é que fazem afirmação radical — a afirmação de que, de alguma maneira, todo o conhecimento depende da verdade religiosa."

Esta afirmação é mais fácil de entender quando nos damos conta de que o cristianismo não é único sob este aspecto. Todos os sistemas de crença trabalham do mesmo modo. Como vimos, o que quer que um sistema proponha como auto-existente é, em essência, o que se considera divino. E esse compromisso religioso funciona como o princípio controlador para tudo o que vem depois. O temor de algum "deus" é o princípio de cada sistema de conhecimento proposto.

Assim que entendermos como o primeiro princípio trabalha, fica claro que toda a verdade tem de começar em Deus. A única realidade auto-existente é Deus, e tudo o mais depende dEle para sua origem e existência contínua. Nada existe separado da sua vontade; nada está fora do escopo dos pontos decisivos centrais na história bíblica: a criação, a queda e a redenção.



Fonte: Nancy Pearse em Verdade Absoluta



http://libertosdoopressor.blogspot.com.br/2012/04/toda-verdade-comeca-em-deus.html

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Jesus nunca foi evangélico

Era só o que faltava! Na tentativa de defender a herança deixada por Lutero, Zwinglio e Calvino, já surgiu quem afirme (acredite se quiser) que “Jesus era evangélico”. Isso mesmo! E não somente ele, mas também os apóstolos – como se o termo evangélico, que hoje está denegrido, fosse inventado por eles.

Tamanha incoerência foi publicada no blog de um famoso jornalista e escritor, que se diz cristão. Segundo o autor do texto, somente os “apóstatas” já abandonaram o termo evangélico. E acrescenta: “Não fujamos como covardes. Fiquemos e defendamos o que é nosso por herança espiritual. Somos sim evangélicos, como Jesus o foi...”

Mas o problema é que Jesus não foi evangélico. Nunca foi e jamais seria! Afirmar o contrário não somente é uma mentira, mas também um absurdo. Digo isso não apenas por causa desse termo, que só começou a ser usado há poucos séculos atrás, após a reforma protestante. Mas, digo isso, principalmente, porque a prática evangélica, desde sua origem, é muitíssimo parecida com a prática religiosa que o próprio Jesus combatia em seus dias.

Se você duvida, vejamos como são os evangélicos, em sua maioria (sejam eles reformados, renovados, pentecostais, ou neo-pentecostais) e perceba como se parecem com aqueles contra os quais Jesus redarguia.

Assim como os oponentes de Cristo, a maioria dos evangélicos:

- Amam os primeiros assentos nas igrejas, sobretudo os do altar;

- Fazem questão de ser chamados por seus títulos;

- Procuram vestir-se com suntuosidade, ao invés de simplicidade (algumas igrejas evangélicas mais parecem um desfile de moda);

- Pregam o amor, o perdão e a humildade que não vivem;

- Acrescentam doutrinas de homens ao puro e simples ensino de Cristo;

- Fazem propaganda de suas raras boas obras (aliás, raríssimas boas obras);

- Gostam (muito) de receber aplauso dos homens;

- Lutam por conquistar autoridade sobre os demais, para depois tratá-los como subalternos.

- Preferem investir tempo e dinheiro em seus templos, a investir tempo e dinheiro para socorrer irmãos necessitados.

- Amam as tradições mais do que a própria verdade.

Essa lista não é exaustiva. Mas ela nos basta para lembrar o quanto essa religiosidade evangélica, em todas as suas instâncias, se parece (e muito) com a mesma religiosidade hipócrita que Jesus abominava em seus dias sobre a terra. E o pior é que os evangélicos nada fazem para mudar! E quando alguém tenta voltar ao genuíno evangelho - da verdade, da igualdade e da simplicidade - logo é chamado de apóstata.

Sendo assim, como pode alguém pensar que Jesus faria parte desse cristianismo hipócrita que inventamos?

Mas, suponhamos que Jesus tentasse fazer parte do arraial evangélico. Caso isso ocorresse, não demoraria muito e ele seria excluído de qualquer denominação a que tentasse ser membro. E mais: os próprios evangélicos o recrucificariam! Por quê? Ora, porque a massa evangélica não tolera alguém que não se enquadre no sistema, mas que tenha coragem para denunciar abertamente suas hipocrisias. Assim como aqueles fariseus e saduceus, que não quiseram tolerar Jesus, a ponto de se unirem para o crucificar.

Portanto, lamento dizer, mas Jesus não seria evangélico. Ele está muito acima do cristianismo que inventamos. Basta uma simples releitura do Novo Testamento para se enxergar isso. Lutero, Zwinglio e Calvino que me perdoem, mas a reforma que eles fizeram não foi completa. Porque faltou a principal reforma: a reforma do coração.

“Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.”
(Jesus Cristo – Mc 7:6)



Fonte: Alan Capriles em seu blog



http://libertosdoopressor.blogspot.com.br/2012/04/jesus-nunca-foi-evangelico.html

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Deus não está em casa








"A igreja é exatamente aquilo contra o que Jesus pregou.
Aquilo ao qual ele ensinou seus discípulos a lutar."
Friedrich Nietzsche,
A vontade de poder § 168.


"Deus, onde estás?", perguntou o cantor. Fui procurar Deus na igreja e ele já não estava mais naquele lugar de gélido calor. Havia saído e feito amizade com os marginais que a sociedade insiste em excluir. Porque já não tem residência fixa, ó Criador? O silêncio ensurdecedor traz respostas as minhas indagações.

Em busca de comprar seu favor que sempre foi de graça, fizemos tudo o que ele não pediu de nós. "Quem requereu isto de vossas mãos?". Cuidamos de detalhes que para ele não era o principal. "Dizimam a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezam o juízo e o amor de Deus". Fizemos uma casa pra ele que tinha todo o planeta como casa (Sl 24). Estávamos tentando enclausurá-lo em nossa interpretação, cidade ou religião? Ele não não habita em construções feitas por mãos humanas (At 7:48). Escolheu outro templo, onde pudesse ser livre para ir e vir, feito com suas próprias mãos (1 Co 3:16; Gn 2:7).

Demorei para entender que Jesus além de querer mostrar para os judeus que ele não iria mais morar naquela construção de pedras, não queria que fossemos visitá-lo lá. Ele o queria no chão. "Derrubem este templo, e em três dias o levantarei [...] Ele, porém falava do santuário do corpo". Ele queria que o encontrássemos andando pelo mundo, numa roda de amigos, numa festa de aniversário ou casamento, numa cela de prisão, na cama de um hospital, na poesia do poeta, na letra das canções de liberdade, na crítica do descrente, no abraço do que não acredita nele...

Isso aconteceu logo após Jesus expulsar os vendilhões do templo, citando o profeta Jeremias (7:11). João diz que os discípulos compreenderam o lamento contindo no salmo 69, que diz "Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe. O zelo da tua casa me devorará". Jesus estava mostrando o quanto a instituição que demos o nome de BetelCasa de Deus, nos tira da vida a qual ele nos chamou para viver. Há cultos de segunda á segunda em algumas igrejas...

As paredes do templo não conseguiram segurá-lo. Lhe aprisionavam. O fazia ausente dasoutras ovelhas. "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco". Gente a qual Jonas se negou a ser mensageiro de Boas Novas. Gente que não sabe distinguir a mão direita da esquerda, mas ele tem enorme compaixão (Jn 4:11).

Jung Mo Sung, disse que a igreja institucional é responsável por recontar a história desse Deus adiante, para que a sua memória não seja esquecida¹. No entanto, ela é um meio e não um fim. A finalidade da igreja de quatro paredes é nos direcionar ao Cristo, e não aprisionar-nos como se fosse uma espécie de ambiente santo, melhor que os demais ambientes onde o Cristo se encontra.

Continuo procurando pelo Cristo. O encontro numa partida de futebol, na peça de teatro, no passeio com os amigos, me esperando nos presídios, hospitais e debaixo das marquises. Ouço sua voz na música que não toca na igreja, na literatura, na película cinematográfica, no vôo dos pássaros, no beijo dos namorados, nas lágrimas dos que choram, na vida e vida em abundância (Jo 10:10).

A minha inquietação se dá no momento onde a igreja canta: "Chega! de ser envergonhado / Chega! preciso ser exaltado / Chega! Meus inimigos verão, a minha Exaltação"². Se dá quando cantamos mais eumeu e minha do que seu nosso. Quando as oreações deixam de ser em nome de Jesus e passam a ser em nome de um homem qualquer³. Deus, onde estás?





¹ - http://www.youtube.com/watch?v=fu_yciCiWBQ
² - http://www.youtube.com/watch?v=cAMb7Px3qwU
³ - http://www.youtube.com/watch?v=D_TlajyRQ-4



http://www.merocristianismo.com/2012/04/igreja-e-exatamente-aquilo-contra-o-que.html

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Conto sobre anjos e diabos



por Zé Luís

Quem me contou, ouviu de uma colega de serviço, que não explicou se leu ou ouviu de um pastor, recitando algum pensador daqueles que nos dão ar de cultos quando citamos seu nome:

Em um grande descampado, um homem permanecia sentado em cima de um muro, com as pernas esticadas, como que cavalga um cavalo.

De um lado haviam muitos anjos, opostamente ao outro, empesteado de capetas de todos os tamanhos e odores. Quem passava ali, podia ver que os anjos clamavam ao homem, para que viesse para o lado deles:

-Venha! Viva conosco! Aqui há proteção...descanso! Aí é muito perigoso...

E seguiam chamando e chamando. Curiosamente, os diabos estavam indiferentes a tudo aquilo, e nem se importavam com o trabalho angelical: nenhum dizia absolutamente nada ao homem, era como se não houvesse necessidade de trazê-lo para o lado do inferno.

Nossa história é concluída com a pergunta curiosa de um transeunte sobre aquela situação, que fala aos diabos, que jogam despreocupados uma partida de truco, ao lado do homem pendurado:

-Por que vocês não chamam o homem para ficar do lado de vocês, capetas?

No que, o que respondeu sibilou num malicioso sorriso:

-Mas aquele que está em cima do muro já está do nosso lado...


O Zé Luís recontou a velha história aqui no Genizah


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/04/conto-sobre-anjos-e-diabos.html#ixzz1sDWl4fOu
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

sábado, 14 de abril de 2012

Bruxas na Fogueira da nossa Hipocrisia.




"Olho para os nossos dias... Onde estão os profetas do Senhor? Onde estão aqueles dispostos a falar a verdade a qualquer preço? Onde estão aqueles dispostos a sacrificar a “carreira ministerial”, ou a “sujar” o currículo eclesiástico, ou mesmo a ser perseguido, ridicularizado, caluniado, ultrajado, desprezado? Existirá ainda algum profeta entre nós? Há quem possa em nosso meio dizer como Isaías “quem deu crédito a nossa pregação!” Carlos Moreira.


Por Marcello Comuna
Eu não tenho pacto com homens, com visões ou com esquemas. Também não me conformo à preguiça da minha carne em se acomodar ao status quo estabelecido, à sua enorme tendência em fugir do confronto, à sua ganância enrustida em busca de um bom salário como pastor ou como um burocrata. Estou determinado à pensar fora da caixa, talvez meu destino seja perder a cabeça em uma bandeja de prata, quem sabe? 

Faço minhas as palavras de Lutero, minha consciência está algemada a palavra de Deus. Então eu assumo o risco e estou disposto a pagar o preço. Que venham as pedradas!

As Escrituras me bastam! Seus ensinos são suficientes para me manter sadio na fé. Então, meu amado irmão, se minhas abordagem te chocam, me perdoe, mas esses são os meus valores. "Sou responsável pelo que falo, não pelo o que você entende".

Sistemas aprisionam as pessoas. Sistemas políticos, sistemas religiosos, todos eles. Alguns sistemas aprisionam com força bruta, outros com sutilezas na inserção de desejos, sentimentos e filosofias. Ditaduras civis e religiosas aprisionam corpos e mentes, sistemas capitalistas incitam o desejo por um consumo desenfreado. Chamam avareza e egoísmo de precaução monetária e acumulam riquezas. Justificam as guerras invocando a paz.

Em nome de Deus, em nome do progresso, em nome da paz, o homem mata, escraviza, manipula, aliena e estupra os sonhos dos menores e mais fracos.

Onde estão os profetas? Onde estão os poetas? Estou sufocado com essa nuvem densa de letargia, com essa atmosfera de adoração ao deus do hedonismo. 

O Estado rouba, ladrões teatrais se apresentam falsamente como representantes de Deus e roubam também. Eles são culpados por esses crimes. Porém, quando eu e você sentamos atrás da mesa com nossa covardia nas mãos nos tornamos seus cúmplices.

A verdade é que nos prostituímos por muito pouco. Nos vendemos por pequenos confortos que conseguimos comprar em dez vezes no cartão. Nos vendemos por uma casa própria, por uma estabilidade no emprego, por um título de líder na instituição eclesiástica, por uma promoção no trabalho. Nos escondemos em nossas tocas, em nossos mundinhos cheio de hipocrisias e contradições. Vez em quando, olhamos por cima do muro e lançamos nossas bombas de moralidade sobre uma sociedade decadente. Gritamos contra os gays! Gritamos contra o aborto! Gritamos contra os comunistas! Gritamos contra os capitalistas! Gritamos contra as bruxas! Gritamos contra tudo e todos que nos ameace o conforto. E declaramos: Somos defensores dos bons costumes! Que piada!

Amamos termos sido reconciliados com Deus através de Cristo, mas gritamos pena de morte para os psicopatas e pedófilos, como se houvesse respaldo bíblico pós Graça para alegar que nossos adultérios, vícios, cólera, inveja e egoísmo, fossem mais santos que assassinato e estupro. Parece que não entendemos que somos um monte de fezes dentro da mesma privada. Uns fedem mais e outros menos, mas nossa justiça continua sendo trapo de imundice para Deus. Os trapos gosmentos de um leproso.  

Acho brutal uma criança assassinada. Contudo, sei que tenho capacidade para ser igualmente brutal com quem tocar nos meus, inclusive se o assassino for um adolescente. Ou seja, somos a mesma coisa em estágios diferente, em condições sociais e psíquicas diferentes.

E no final, "quem ordena a execução não acende a fogueira".

Eu luto pelos valores do Reino de Cristo, O amo e amo seus mandamentos. E talvez seja por isso que meu estômago embrulha diante da hipocrisia e falso moralismo de uma burguesia indiferente ao caos, de uma igreja irrelevante preocupada somente em seu mundinho e sua cultura, que prega muito mais sobre moral, política, filosofia, do que sobre o amor. 

Mas eu ainda amo a igreja. Tenho que amar. Jesus a amou. Amo a comunhão sincera, amo a adoração espontânea, amo o servir humildemente, amo a luta dos irmãos em tornarem-se homens mais parecidos com o Mestre. E é por amar que me esforço para desconstruir costumes inúteis, doutrinas de homens que não se submetem a Bíblia, mas submetem a Bíblia aos seus achismos, distorcendo textos para corroborarem suas arrogâncias e vontades.

É por amar que escrevi esse texto, para que possamos tirar nossas máscaras de hipocrisias e lembrarmos o quanto podres e devedores nós somos. 

Somos uma sociedade de covardes prostitutas!

Creio na soberania do Criador sobre toda criatura e criação. Creio nas palavras de Jesus: As pedras clamarão!  

Já que não se levanta profetas em nossa cultura gospel, vamos ouvir Deus falar através da profetiza baiana Pitty. Veja como essa pedra clama contra nós!

"Livro" Anacrônico
Capítulo 2005, versículo 11.





Encaixotem os livres
Desinfectem os cantos
Estuprem as mulheres
Brutalizem os homens
Despedacem os fracos
Enfeitem a moda
Sodomizem as crianças
Escravizem os velhos
Fabriquem as armas
Destruam as casas
Façam render a guerra
Escolham os heróis
E queimem as bruxas
Deixa queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?
Empurrem conselhos
Forneçam as drogas
Engulam a comida
Disfarcem bem a culpa
Protejam a igreja
Perdoem os pecados
Condenem os feitiços
Decidam quem vai morrer
Contaminem a escola
Violentem os virgens
Aprisionem os livros
Escrevam a história
E queimem as bruxas
Deixa queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?
Quem ordena a execução
Não acende a fogueira
(Pai, rogai por nós)
Quem ordena a execução
Não acende a fogueira
(Pai, rogai por nós)
Quem ordena a execução
Não acende a fogueira
(Pai, rogai por nós)
Quem ordena a execução
Não acende a fogueira
(Pai, rogai por nós)
E queimem as bruxas
Deixa queimar...
E queimem as bruxas
Deixa queimar...
E queimem as bruxas
Deixa queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Arte, Liberdade de Expressão e Deus.




Um dos meios mais significantes

 de expressão é a arte. E quando
 me refiro à arte, pretendo abarcar
 todo o leque de manifestações 
artísticas, desde as artes cênicas,
 passando pelas artes plásticas,
 pela música, literatura, etc.

Ao dotar o ser humano de 

sensibilidade artística, o Criador
 estava imprimindo nele um dos 
Seus traços mais marcantes.
 Deus é o Supremo Artista.
 Toda a Sua criação é uma grande 
obra de arte.

Em Efésios 2:10, o apóstolo Paulo diz que “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para

 as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. A palavra grega
 traduzida como “feitura” é poiema, que também poderia ser traduzida por “poema”. Que 
interessante: somos o poema de Deus. Somos uma expressão artística de Deus.

João Calvino, o grande reformador protestante do século XVI, defendia que a arte é um 

dom de Deus, e que deveria ser usada para glorificá-Lo. E mesmo quando a arte se rebaixa 
para tornar-se o instrumento de mero entretenimento para o povo, Calvino afirma que este 
tipo de prazer não lhe deveria ser negado. Quanto mais o homem se aprofunda nas “artes 
liberais” e investiga a natureza, mais se aproxima “dos segredos da divina sabedoria”.

Sobre isso, escreveu Bavinck (1854-1921):

“A arte também é um dom de Deus. Como o Senhor não é apenas verdade e santidade, 

mas também glória, e expande a beleza de Seu nome sobre todas as Suas obras, então
 é Ele, também, que, pelo Seu Espírito, equipa os artistas com sabedoria e entendimento
 e conhecimento em todo tipo de trabalhos manuais (Ex 31.3; 35.31). A arte é, portanto,
 em primeiro lugar, uma evidência da habilidade humana para criar. Essa habilidade é 
de caráter espiritual, e dá expressão aos seus profundos anseios, aos seus altos ideais, 
ao seu insaciável anseio pela harmonia. Além disso, a arte em todas as suas obras e
 formas projeta um mundo ideal diante de nós, no qual as discórdias de nossa existência
 na terra são substituídas por uma gratificante harmonia. Desta forma a beleza revela 
o que neste mundo caído tem sido obscurecido à sabedoria, mas está descoberto aos
 olhos do artista. E por pintar diante de nós um quadro de uma outra e mais elevada
 realidade, a arte é um conforto para nossa vida, e levanta nossa alma da consternação,
 e enche nosso coração de esperança e alegria.”

E quando falo de arte, não endosso a pretensa distinção entre arte cristã e arte pagã. 

Concordo com Hermisten Maia Pereira da Costa, que em seu belo texto intitulado
 “O Espírito Santo na Vida Intelectual e Artística” afirma: “A dicotomia entre “arte cristã”
 e a “arte pagã” tem contribuído para que os cristãos muitas vezes se distanciem das 
expressões artísticas, rotulando-as precipitadamente de pagã, sem o devido critério. 
Por outro lado, e isto é o mais grave, com o nome de arte cristã tem-se pretendido criar
 um suposto isolacionismo cultural que, na realidade tem sido, em geral, de baixíssima
 qualidade e, o pior: supostamente para a glória de Deus. Muitas vezes em nome de 
uma “arte cristã” estamos patrocinando uma “reserva de mercado”, onde a sensatez e
 o senso crítico não têm vez, visto que neste caso, o que conta é o sentimento, como
 que este, por si só estivesse acima de qualquer juízo de valor.” 

Michael S. Horton nos adverte com precisão: “Se vamos escrever literatura ‘cristã’ e 

criar obras de arte e música distintamente ‘cristãs’, deverá ser feito de modo tão 
plenamente persuasivo intelectualmente e artisticamente que os que não são cristãos
 ficarão impressionados por sua integridade – mesmo que eles discordem”. 

É o próprio Deus quem capacita pessoas a se expressarem através das artes.

 Lemos em Êxodo, que Deus escolheu dois homens, Bezalel e Aoliabe, enchendo-
os de “habilidade, inteligência e conhecimento, em todo artifício, para inventar obras 
artísticas, para trabalhar em ouro, em prata e em bronze, em lavramento de pedras 
de engaste, em entalhadura de maneira, para trabalhar em toda obra fina (...) Encheu-
os de habilidade, para fazerem toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do 
bordador, em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão;
 toda sorte de obra, e a elaborar desenhos”. Uau! Quanta inspiração Deus deve ter 
dado àqueles homens!

Porém, de nada adiantaria dar-lhes inspiração, se não lhes fosse dada a liberdade 

necessária para expressá-la.

Durante a Ditadura Militar, muitos artistas brasileiros foram exilados, porque suas 

obras eram consideradas subversivas. Um desses artistas foi Caetano Veloso, que 
amargou um período de exílio na Inglaterra. Alguns dos grandes compositores
 brasileiros tiveram que expressar sua indignação através de músicas com sentido 
subliminar. Chico Buarque, por exemplo, tinha suas músicas sistematicamente 
observadas. Uma de suas músicas com duplo sentido foi “Apesar de Você”:

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….


Naquele período tenebroso da nossa história, todas as publicações, livros, 

programas de TV e rádio, eram obrigados a passar pelo crivo de um grupo de 
censores. Os critérios eram subjetivos e iam desde os aspectos ideológicos e 
políticos, até os relacionados a costume. Os censores indicavam os trechos, 
e muitos casos, a obra toda que não poderia ser divulgada. Assim, algumas 
obras ficavam desfiguradas e sem sentido.

Muitos filmes produzidos naquela época nunca chegaram à telas. Políticos 

e pensadores foram encerrados atrás das grades. Artistas foram expulsos do
 País. Sem contar aqueles que simplesmente desapareceram, sem deixar
vestígios.

Grande parte da nata intelectual e artística do Brasil ficou impedida de se 

expressar. Todos perdemos com isso.

A igreja cristã, juntamente com seus líderes, deve estimular a arte e a sua

 livre expressão.
Se houvesse algum tipo de censura religiosa nos tempos bíblicos, 
provavelmente muitos dos salmos teriam sido editados ou simplesmente 
descartados. E certamente não teríamos o livro do "Cântico dos cânticos",
cujo conteúdo é extremamente erótico, mas nem por isso, deixa de ser 
espiritual.

Nenhum líder religioso tem o direito de promover qualquer tipo de censura. 

Em vez disso, deve oferecer aos fiéis instrumentos, para que saibam apreciar
 e ao mesmo tempo discernir a mensagem que o artista está tentando passar. 
E aqui vale a admoestação de Paulo, o apóstolo: Apreciar tudo, e reter o que 
for bom.


Via Hermes C. Fernandes



http://verboprimitivo.blogspot.com.br/search?updated-max=2011-11-08T18:11:00-08:00&max-results=7&start=14&by-date=false

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Blues da Piedade






Amigos,

Andei passando por grandes turbulências nas 3 últimas semanas. Por conta disso, não tive tempo hábil para dar a devida atenção as minhas publicações. Contudo, o Senhor continua no controle desse caos organizado. Tenho feito a oração de David para aprender administrar o tempo. Trabalho, faculdade, família e voluntariado na implantação do Reino. Ufa! 
Estou às pressas preparando debates para um retiro nesse feriado, por conta disso, mais uma vez não tive tempo para publicar minhas reflexões. Mas vou deixar para vocês essa oração musicada que é uma manifestação da graça divina. Semana que vem tudo volta ao normal (assim eu espero!).




Abraços fraternos amigos!


Blues da Piedade.
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem





http://www.youtube.com/watch?v=PvySjo1BkpU&feature=player_embedded