quinta-feira, 31 de maio de 2012

A Marcha dos Fracassados




Hermes Fernandes


"Mas graças a Deus, que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós
manifesta em todo lugar o perfume do seu conhecimento" (2 Co.2:14).


Eis um dos versos bíblicos mais mal compreendidos pelos cristãos contemporâneos! Mas o que esperar de uma geração de crentes triunfalista e individualista, que pinça versos das Escrituras a seu bel-prazer, para justificar sua postura hedonista e egoísta? O que esperar de uma geração que sai às ruas numa marcha aparentemente dedicada a Jesus, mas que no fundo pretende ser uma demonstração de cacife político?

De acordo com essa visão distorcida, Paulo estaria dizendo que Cristo nos conduz pelo mundo vitoriosamente. Entretanto, o foco de Paulo não é a nossa vitória como indivíduos, mas a vitória de Cristo sobre seus inimigos. E adivinha que inimigos são esses?

Algumas traduções dizem que Ele "sempre nos faz triunfar". Porém, o texto grego diz que Ele nos conduz em triunfo. Pode até parecer que estamos trocando seis por meia dúzia. Entretanto, "fazer triunfar" e "conduzir em triunfo" têm significados bem distintos, e praticamente inversos.

De fato, a Bíblia nos garante que "somos mais que vencedores", e que "a vitória que vence o mundo é a nossa fé". Porém, esse verso em particular fala de outra coisa.

O que é que Paulo intentava dizer, afinal?

Primeiro, precisamos nos familiarizar com a palavra "triunfo". Trata-se do desfile triunfal que era promovido em Roma para recepcionar os generais romanos e suas tropas, quando chegavam de alguma campanha militar bem-sucedida.

Geralmente, o general ía à frente, em seu carro de guerra, exibindo louros em sua cabeça, seguido pelos soldados que ostentavam bandeiras e estandartes, e pelos prisioneiros de guerra, acorrentados pelos pés, mãos e pescoços.

Que posição Paulo imaginava ocupar na parada triunfal de Cristo? Será que ele se imaginava o general? Ou um dos soldados? Ou será que ele se via como um prisioneiro, um inimigo vencido, e que agora era exibido como troféu ao mundo?


Basta relembrarmos de sua conversão, quando ouviu dos lábios de Cristo:"Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões" (At.26:14). Ora, os inimigos conquistados eram exibidos pelas ruas de Roma, acorrentados com aguilhões em seus pescoços. Qualquer movimento poderia ser fatal, pois esses aguilhões penetrariam no pescoço do prisioneiro, provocando um sangramento que o levaria à morte.

Seria por isso que Paulo usualmente se apresentava como "prisioneiro de Cristo"(Ef.3:1; 4:1; Fm.1; 2 Tm.1:8)?

Paulo se considerava um inimigo conquistado por Cristo. Era exatamente esta a imagem que ele tinha em mente ao declarar que estava sendo conduzido por Cristo em Seu desfile triunfal pelo mundo. Paulo era um exemplo de que Cristo é capaz de fazer a um inimigo Seu.

Em outras palavras, somos inimigos vencidos, e agora, exibidos ao mundo como troféus. Daí Paulo declarar em outra passagem: "Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte. Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens" (1 Co.4:9). Os cidadãos que assistiam àquele espetáculo cruento sabiam que os últimos eram os condenados à morte.

E por mais paradoxal que pareça, somente os "vencidos por Cristo" podem ser considerados "mais que vencedores" por meio d'Ele.

Cristo nos conquista pelo amor! Não é pelo poder, pela força bruta, nem pela imposição, mas por Sua graça e amor.

E Suas correntes são tão poderosas, que podemos fazer coro com Paulo: "Pois estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm.8:38-39).

A verdadeira "marcha pra Jesus" não acontece com data marcada, guiada por trios elétricos, ao som de gritos de guerra, mas acontece todos os dias, pelas ruas, avenidas, corredores de supermercados, shoppings, bancos, onde gente conquistada pelo amor de Jesus são conduzidas como amostras grátis do poder do Evangelho.

Desta marcha eu participo sem o menor recato.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quando pessoas se parecem com Satanás


Por John Parnell ►

Deus criou o homem para refletir a sua imagem e fazer avançar a exibição de sua glória sobre o mundo criado (Gênesis 1:26-28). Mas Adão falhou nesta comissão. Ao invés de ter domínio sobre a serpente, ele sucumbiu à sua astúcia. Como Greg Beale, explica: "Em vez de querer estar perto de Deus a refletir-lo, Adão e sua mulher esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim" (Gênesis 3:8 e 3:10) .

O pecado trouxe o caos e a desordem. As coisas ficaram bagunçadas. Na verdade, as coisas ficaram tão de pernas pro ar que Adão poderia ser visto realmente suprimindo a imagem de Deus e refletindo a imagem da serpente, como uma história ao contrário (veja romanos 1:18-25).

Adão foi o primeiro ser humano idólatra que se tornou em algo que ele não deveria tornar-se, parecendo mais com a cobra do que com o seu Criador. Beale explica assim:

"Idolatria" deve ser definido como reverenciar qualquer outra coisa que não seja Deus. No mínimo, a fidelidade de Adão havia deixado Deus e voltado para si próprio e, provavelmente, para Satanás, pois ele acabou se assemelhando à personagem da serpente em alguns aspectos.
[Ele mentiu]
A serpente era um mentiroso (Gênesis 3:4) e um enganador (Gênesis 3:1, 13). Da mesma forma Adão, quando perguntado por Deus, "Você comeu da árvore da qual te ordenei que não comesse?" (Gênesis 3:11), ele não responde sem rodeios. Adão respondeu, "A mulher que você me deu para estar comigo, ela me deu da árvore, e eu comi" (Gênesis 3:12). Adão estava culpando Eva por seu pecado, e isso transfere a responsabilidade dele para sua esposa, em contraste com o testemunho bíblico de que Adão foi o verdadeiro responsável pela queda (por exemplo, veja Romanos 5:12-19).
[Ele não confiava na Palavra de Deus]
Além disso, Adão, como a serpente, não confiar na palavra de Deus (em relação a Adão, ver Gênesis 2:16-17; 3:6; no que diz respeito à serpente, Gênesis 3:1, 4-5). A mudança de Adão de confiar em Deus para confiar na serpente significava que ele já não reflete a imagem de Deus, mas sim a imagem da serpente. . .
[Ele exaltou a sim mesmo]
Adão não só ficou de lado enquanto sua aliada de aliança, Eva foi enganada pela serpente, mas também decidiu por si mesmo que a palavra de Deus estava errada e a palavra diabo estava certa. Ao fazê-lo, talvez Adão estivesse refletindo uma outra característica da serpente, que exaltou o seu próprio padrão de conduta ao invés dos padrões de justiça de Deus. Certamente Adão estava decidindo por si mesmo que a palavra de Deus estava errada. Este é precisamente o ponto onde Adão se colocou no lugar de Deus - este é o culto do eu.
   GK Beale, A Teologia do Novo Testamento bíblico.

Adão era um enganador. Ele não confiava na palavra de Deus. Ele exaltou seu próprio padrão acima do padrão de Deus isso é um culto a si mesmo. Os seres humanos, criados à imagem da majestade de Deus, rebelaram-se e tornaram-se em imagem da serpente. Esta foi a queda. E essa não é apenas a história de Adão, é a nossa história, também.

O pecado não é uma coisa que nós podemos simplesmente varrer para debaixo do tapete. Não é um pouco disso ou daquilo. Ah, não. O pecado é mais fundamentalmente nós agindo como Satanás em vez de refletir a glória de Deus.

Pense nisso por um momento.

Falsificando a verdade, distorcendo um pouco as coisas, ignorando a palavra de Deus, elevando a nossa razão acima do que ele disse - essas não são lutas nem fraquezas, isso é satânico. É negar o propósito mais fundamental da nossa existência: glorificar a Deus e trazer a marca da sua santidade.

Uma motivação para uma vida de arrependimento é ver o nosso pecado como ele realmente é.

Traduzido por Beatriz Rustiguel da Silva


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mensagem subliminar num ideograma



O ideograma para 'justiça', formado por dois símbolos: 'eu com uma faca na mão' e 'cordeiro'  - minha nova tatoo, a quinta.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O quarto




Carlos Moreira

Aquele era o meu mundo... Ali eu existia sendo eu mesmo, sendo um todo, sendo meu. Fechada a porta, luzes se acendiam, cenários se desvelavam, via-me alçado ao imaginário, viajava sem sair do lugar, visitava outros ambientes, outros “planetas”! Mesmo na escuridão da noite, podia enxergar perfeitamente. O rádio tocava canções para embalar meus pensamentos, músicas antigas, daquelas que lhe acalmam, lhe entorpecem. 

Todo mundo precisa de um “quarto”. Um lugar só seu, feito de estrelas e breu, com chaves só pelo lado de dentro, impenetrável, inviolável, onde nada do mundo exterior possa lhe atingir. Chega de tanta realidade! Há de se poder “delirar” um pouco, pois quem suporta viver o concreto o tempo inteiro? Naquele “quarto” eu me despia de tudo o que não era, me vestia de tudo o que gostaria de ser. Ali “...eu era o rei. Era o bedel e era também Juiz. E pela a minha Lei a gente era obrigado a ser feliz”. Chico Buarque.

Mas eu cresci, mudei de lugar, mudei de “quarto”... O novo não era do mesmo jeito, tinha mais glamour, mas nele o “show” não acontecia à noite, as cortinas não se abriam, os palhaços não apareciam, a vida era rotina e solidão. Eu tinha saudades do “velho amigo”, daquele pedacinho de mundo que eu havia criado, tecido de pétalas, coberto de sons, de cores, fantasias, onde sempre havia festas, risos, era um mundo dentro do meu mundo, um refúgio, um lugar onde me sentia protegido.

O tempo se passou... Os sonhos se esfarelaram pelo chão da vida. As estrelas despencaram do firmamento, o sol se pôs, tudo ficou denso, escuro, cheio de silêncios, de poeira levada pelo vento.  A realidade veio me brindar com sua dose de fatalismos, com seus desgastes próprios, trouxe consigo as dores de existir, de crescer, de ter de enxergar e não mais ver, de ter de ter e não bastar apenas ser. E eu pensava comigo: “eu queria tanto estar no escuro do meu quarto a meia-noite, a meia luz, pensando, daria tudo por meu mundo e nada mais”. Guilherme Arantes.

Aí eu fiz o que já devia ter feito há muito tempo! Voltei para dentro do “quarto”! Sim, descobri que esse “lugar” não precisa ser real, pode ser imaginário, acessível pelos "conduítes" da alma, disponível a qualquer hora. Nele é possível afrouxar os nós da gravata, não atender ao celular, nem ter de ler e-mails ou olhar extratos bancários. São breves momentos que duram uma eternidade, pois ali você é só seu e de mais ninguém.

Bem afirmou Henry Miller, ainda que pareça idiotice: “manter a mente vazia é uma proeza... Estar silencioso o dia inteiro, não ver nenhum jornal, não ouvir rádio, não escutar tagarelices, estar perfeita e completamente ocioso... Os jornais engendram mentiras, ódio, ganância, inveja, desconfiança, medo, maldade. Nós não precisamos da verdade como ela nos é servida nos jornais diários. Precisamos de paz, solidão e ociosidade”.

Jesus era um homem de oração, de reclusão. Tinha necessidade do isolamento, da introspecção, da busca do intangível, do imaterial, de alimentar sua alma de verdades e não apenas de coisas. Ele também tinha um “quarto” desses... Estava em todo lugar e em lugar nenhum. Às vezes era o jardim, em outras as montanhas. De certa feita, fez dele a beira mar e, num outro momento, uma estalagem qualquer, no meio do nada, acolhido pelo frio, embalado pelo cansaço, debaixo do céu estrelado, deitado sobre o chão. Ali sentia os aromas do deserto, sabia que mesmo sem ter onde reclinar a cabeça, possuía um “quarto” somente seu...

Recentemente, visitei aquele "cantinho" da infância. Depois de 27 anos voltei ao apartamento onde meus pais moraram por quase duas décadas. Nele estava residindo um casal de velhinhos. Muito simpáticos, me convidaram a entrar. Mostraram-me a casa reformada, as mudanças realizadas. Tudo ficou muito bonito.

Mas houve um momento em que eu cheguei ao quarto que havia sido meu. O coração acelerou, os olhos encheram-se de lágrimas, uma nostalgia irresistível tomou conta de minha mente pragmática, não dada a muitas emoções. “Eu dormia aqui”, disse. O casal me deixou só por alguns instantes, tempo suficiente para ver toda minha vida diante dos meus olhos.

No canto do quarto, sentado na cama, estava eu mesmo, com uns 11 anos de idade. Eu olhei para mim e me perguntei: “como você está?”. Com voz embargada, o outro eu de mim mesmo respondeu: “eu tô bem, eu vou indo...”. O “garoto” insistiu: “você está mais velho, há marcas no seu rosto, e outras na sua alma. As de fora não importam tanto, as de dentro, todavia, talvez nem mesmo o tempo possa apagá-las.”. “Tenho de ir”, disse. “Vá com calma, ele falou. Vá mais leve, mais livre, vá com Deus!”.

Já faz meses que vivi esta experiência imaginária, ficcional... Ela me ajudou a entender algumas coisas; outras eu ainda estou discernindo, aos poucos, lentamente. Não consegui escrever sobre este fato antes, talvez por medo de me expor, talvez por medo do leitor, talvez por medo de mim mesmo... É que eu sei que “minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”. Nietzsche.

Agora, com todo respeito, peço-lhe licença: vou para o meu “quarto”. Não, não é o quarto do meu apartamento, é o “quarto” que abriga a minha alma e o meu coração. Você não tem um desses? Bem, sugiro que adquira um o mais breve possível. Mas não procure nos classificados, nem se preocupe com dinheiro, este “quarto” está dentro de você, e só você pode encontrá-lo, entrar nele, e usufruir o que de melhor ele possa lhe proporcionar. 

Carlos Moreira é coeditor do Genizah


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domingo, 20 de maio de 2012

O DIABO DE DENTRO…



Sim, dentro; dentro de nós...

Ora, o diabo de dentro é construído pela nossa adesão à natureza do diabo, que é ódio, mentira, sedução, dissimulação, manipulação, ganância, inveja, soberba, e culto a si mesmo.

Quem odeia, se ira e irado permanece, amargura-se e amargurado fica, antipatiza e se tem por certo na manutenção da antipatia gratuita, e quem ama apenas por conveniência e interesse — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem mente, e se alegra em mudar o caminho dos outros pelo engano, que maquina como afirmação de inteligência e poder, que se deleita com o poder do engano e da dissimulação — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem seduz e ludibria pelo prazer de ver o engano e a desilusão no próximo, que usa a boa fé sem piedade, que come e joga fora, que se serve do próximo como um peão tolo no Xadrez do Engano — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem cobiça com a avidez da ganância e da insaciabilidade, quem não se contenta nunca, quem usa de todos os meios para atingir seus fins, quem se alimenta da própria volúpia como nutriente existencial, e que não vê em qualquer limite uma benção, mas apenas uma maldição — esse vai se tornar um ser diabo.  

Quem inveja... e existe para buscar tomar, possuir ou substituir um outro, quem faz da vida uma competição de superação do próximo, quem não se alegra com seu próprio ser, mas só se vê nas coisas que possua — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem não vê nada e ninguém acima de si mesmo, que não teme a Deus, não reverencia a vida e não aceita a existência e a experiência de outros — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem não se arrepende..., quem não pede perdão e não perdoa..., quem nunca admite o erro puro e simples e sem explicação..., quem jamais considera silenciar mesmo tendo razão..., e, sobretudo, quem foge de amar... — esse vai se tornar um ser-diabo.

Sim, especialmente se confessar-se cristão!...

Resista o diabo em você mesmo e ele fugirá de seu ser!

Mais importante, todavia, é saber que somente se resiste ao diabo quando decidimos em nós mesmos nos submetermos à potente mão de Deus, pois, Ele, a Seu tempo, nos exaltará em toda forma de livramento.

Ora, isto não é um advento, nem um evento, nem um dia..., mas um modo de ser e de vigiar, e, sobretudo, deve se tornar o sondar constante do nosso coração.

Somente assim cresceremos na consciência e no fato de que o Príncipe desse mundo nada tem em nós.


Em Jesus, que me ensina a vencer o diabo que quer ser eu em mim,


Caio

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Perfeição

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...



Legião Urbana

O Deus Perfeito descrito por Agostinho de Hipona




Quem pois és tu, Deus meu, e a quem dirijo minhas orações senão a meu Deus e Senhor? E que outro deus há fora o Senhor nosso Deus! Tu és sumo excelente e altíssimo e teu poder não tem limites. Infinitamente misericordioso e justo, ao mesmo tempo inacessivelmente secreto e onipresente, de imensa força e formosura, estável e incompreensível, um imutável que tudo move. Nunca novo, nunca velho, tudo renovas, mas envelhece aos soberbos sem que eles dêem conta. Sempre ativo, porém calmo, tudo buscando, mas nada te faz falta. Tudo o que cria, sustenta, e leva a perfeição. És um Deus que busca, porém nada necessita. Ardes de amor, mas não queima, és zeloso, porém seguro, nunca está pobre, porém te alegras com o que recebe de nós. Que falta de posse, que já não é teu? Pois pagas dívidas quando nada deves, e perdoa o que devemos, sem perder. Que diremos pois de ti, Deus meu, vida minha, e santa doçura. E quem de ti pode falar. Mas ai daqueles que estão em silêncio, porque podendo muito falar, tornaram-se mudos.

Las Confesiones por San Agustín Libro I, IV  -  Traduzida e Adaptada por Carlos Reghine
Fonte: [ Calvinismo e Reforma ] 
Via: [ 2 Timóteo 3:16 ]

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O Evangelho é Jesus


Ronaldo Lidório
 
Uma das principais barreiras para a evangelização não é o ambiente, muitas vezes árido para a comunicação da mensagem, mas o entendimento, por parte da própria Igreja, quanto ao Evangelho.

Devido a uma influência secularista, liberal e reducionista na missiologia das últimas décadas, houve uma humanização de conceitos que necessitam de revisão bíblica. Talvez o principal seja o próprio Evangelho. Não é incomum lermos que “o Evangelho está sendo atacado no Egito” ou que “o Evangelho está entrando nos lugares distantes da Amazônia”. O que se quer dizer é que a Igreja está sendo atacada e entrando na Amazônia, manifestando que, em nossos dias, passamos a crer que a Igreja é o Evangelho. Essa equivocada compreensão cristã que iguala o Evangelho à Igreja - a nós mesmos - é ampla e popular, mas tem suas raízes em distorções bíblicas e teológicas que podem nos levar a caminhos erráticos na vida e prática cristã.

Paulo escreve aos Romanos no capítulo 1 sobre o “Evangelho de Deus” (v.1) que Deus havia prometido “pelos seus profetas nas Sagradas Escrituras” (v.2), o qual, quanto ao conteúdo, é “acerca do Seu Filho” (v.3), que é “declarado Filho de Deus em poder... Jesus Cristo, nosso Senhor” (v.4). Portanto fica claro: Jesus é o Evangelho.

Assim, se nos envergonharmos do Evangelho, estamos nos envergonhando de Jesus. Se deixarmos de pregar o Evangelho, deixamos de pregar Jesus. Se não crermos no Evangelho, não cremos em Jesus. Se passarmos a questionar o Evangelho, seus efeitos perante outras culturas e sua relevância hoje, nós não estamos questionando uma doutrina, um movimento ou a Igreja, estamos questionando Jesus.

O que Paulo expressa nesse primeiro capítulo é que, apesar do pecado, do diabo, da carne e do mundo, não estamos perdidos no universo. Há um plano de redenção e Ele se chama Jesus. O poder de Deus se convergiu nEle e Ele está entre nós.
 
Quando compreendemos mal o Evangelho, e o igualamos à Igreja, corremos o risco de proclamarmos denominações, igrejas locais, logomarcas e pregadores, pensando que com isso estamos evangelizando. Não há verdadeira evangelização sem a apresentação de Jesus Cristo, Sua vida, morte, ressurreição e paixão por nos salvar.

Um dos textos que mais sintética e profundamente expõe o Evangelho foi escrito por Paulo quando afirmou: “Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”. (Rm 1.16).

Em primeiro lugar, esta afirmação deixa bem claro que o Evangelho jamais será derrotado, pois o Evangelho é Cristo. Sofrerá oposição e seus pregadores serão perseguidos. Será questionado e deixarão de crer nEle. Porém, nunca será vencido, pois o Evangelho vivo, que é Cristo, é o poder de Deus.

Em segundo lugar, o Evangelho não é o plano da Igreja para a salvação do mundo, mas o plano de Deus para a salvação da Igreja. O que valida a Igreja é o Evangelho, não o contrário. Se a Igreja deixa de seguir o Evangelho, de seguir a Cristo, deixa de ser Igreja, ou Igreja de Cristo.

Em terceiro lugar, o Evangelho não deve ser apenas compreendido e vivido. Ele se manifestou entre nós para ser pregado pelo povo de Deus. Paulo usa essa expressão diversas vezes. Aos Romanos, ele diz que se esforça para pregar o Evangelho (Rm 15.20). Aos Coríntios, ele diz que não foi chamado para batizar, mas para pregar o Evangelho (1 Co 1.17). Diz também que pregar o Evangelho é sua obrigação (1 Co 9.16).

Devemos proclamar o Evangelho – lançar as sementes – a tempo e fora de tempo. Provérbios 11 nos encoraja a lançar todas as nossas sementes, “... pela manhã, e ainda à tarde não repouses a sua mão”. Essa expressão de intensidade e constância nos ensina que devemos trabalhar logo cedinho – quando animados e dispostos – e quando a noite se aproximar, o cansaço e as limitações chegarem, ainda assim não deixar de semear. Fala-nos sobre a perseverança na caminhada e no serviço. É preciso obedecer mesmo quando o sol se põe.

Jim Elliot, missionário entre os Auca do Equador na década de 50, afirmou que “ao chegar o dia da nossa morte, nada mais devemos ter a fazer, a não ser morrer”.  Observemos nossa vida e lancemos a semente, cumprindo a missão.

Não importa mais o que façamos em nossas iniciativas missionárias, é preciso pregar o Evangelho. A pregação abundante do Evangelho, portanto, não é apenas o cumprimento de uma ordem ou uma estratégia missionária, mas o reconhecimento do poder de Deus.

Somos lembrados por Paulo a jamais nos envergonharmos do Evangelho que um dia no abraçou, pois não é uma ideia ou um movimento, mas uma Pessoa, o Evangelho é Jesus. 
 
 
 



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Os novos 10 mandamentos



Um dos blogs que sempre frequento, é a do "reverendo arcebispo Hélio", atual articulista do Genizah, um cabra que tem sempre ótimas sugestões de literatura. Um dia eu chego lá. O Contorno da Sombra é ótimo, foi lá que vi essa tirinha

Read more: http://www.cristaoconfuso.com/2012/05/os-novos-10-mandamentos.html#ixzz1v2YQntD1

quinta-feira, 10 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

domingo, 6 de maio de 2012

Quem Sou Eu? - Dietrich Bonhoeffer






Quem sou eu? Muitas vezes me dizem que eu sairia do confinamento da minha cela calma, alegre e firmemente, como um cavaleiro vindo de sua terra natal.

Quem sou eu? Muitas vezes me dizem que eu falaria com os meus carcereiros livre, clara e amigavelmente, como se me coubesse comandar.

Quem sou eu? Também me dizem que eu suportaria dias de má sorte uniforme, sorridente, orgulhosamente, como alguém habituado a vencer.

Sou realmente isso tudo o que os outros dizem?
Ou sou somento o que sei de mim,
inquieto, anelante e enfermo, como um pássaro na gaiola, lutando por conseguir respirar como se mãos estivessem comprimindo a minha garganta, anelando por cores, por flores, pelas vozes das aves, sedento de palavras bondosas, de urbanidade, tremendo de ira ante os despotismos e a humilhação mesquinha, fremente na expectativa de grandes eventos, tremendo impotentemente por amigos a uma distância infinita, fatigado e vazio na oração, no pensamento, na realização, desfalecido e pronto a dizer adeus a tudo?

Quem sou eu? Este ou aquele outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou ambas ao mesmo tempo? Um hipócrita perante os outros,
e diante de mim mesmo um fraco desprezível e desolado?
Ou ainda há dentro em mim algo como um exército batido, fugindo desordenadamente da vitória já obtida?

Quem sou eu? O solitário pergunta zomba de mim.
Quem quer que eu seja, ó Deus, Tu me conheces, sou Teu
 



http://lofzion.blogspot.com.br/2012/05/quem-sou-eu-dietrich-bonhoeffer.html

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O "Evangelho" segundo Herbert Vianna


Herbert Vianna


Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos "lipo-as e muito mais piração?"

Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação.

Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.

Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.

A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?

A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.

Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.

Ok, eu tambem quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...

Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bilímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, e não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.

Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.

"Cuide bem do seu amor, seja ele quem for."

Herbert Vianna - Cantor e compositor (Via Veshame Gospel)
Título Original: Cirurgia de Lipoaspiração


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Revelação Geral


Como complemento aos nossos estudos do último domingo, dia 22/4, transcrevo um texto disponível em http://www.monergismo.com/textos/bibliologia/revelacao-geral_dag_r-hanko.pdf, sobre a revelação geral.
“Revelação geral” é o termo freqüentemente usado para se referir ao fato de Deus se fazer conhecido na criação, consciência e história. O termo é usado em distinção de “revelação especial”, a revelação salvífica de Deus através de Jesus Cristo nas Escrituras.
A revelação geral é mencionada em várias passagens, mas com maior clareza em Romanos 1:18-32. Essa passagem fala de Deus se fazendo conhecido nas coisas da criação (vv. 20, 25) e na consciência do homem (v. 19;  observe as palavras neles).
Essa revelação geral, contudo, não tem poder salvífico. Ela não é nem mesmo um tipo de graça, embora muitos falem dela como um exemplo da assim chamada “graça comum”. Pelo contrário, como Romanos 1 deixa bem claro, essa revelação geral é uma revelação da ira de Deus, e serve somente para deixar o ímpio sem escusa (vv. 18, 20).
Certamente, então, a revelação geral não fornece outro caminho de salvação. A idéia que os ímpios podem ser salvos por uma resposta moral a essa revelação geral é totalmente sem fundamento na Escritura, e é apenas outra forma de salvação pelas obras e de humanismo religioso.
Essa idéia que a revelação geral tem valor salvífico é faltamente refutada por Romanos 1 mesmo. O ímpio vê as “coisas invisíveis de Deus”, particularmente seu eterno poder e divindade (v. 20). Há até mesmo um aspecto interno dessa manifestação de Deus. O versículo 19 diz que as coisas que podem ser conhecidas de Deus são manifestas “neles”.
Isso tem implicações importantes. A manifestação de Deus nas coisas que foram criadas é a razão pela qual ninguém será capaz de se queixar no dia do juízo que não conhecia a Deus. Se considerarmos Romanos 1, não existe nenhum ateu. Portanto, o ímpio que nunca ouviu o evangelho pode e será condenado no dia do juízo, como resultado dessa manifestação.
Todavia, o único resultado dessa manifestação de Deus, no que diz respeito ao ímpio, é que eles recusam glorificar a Deus, continuam a ser ingratos, e transformam a glória de Deus, manifesta a eles e neles, em imagens de coisas corruptíveis (vv. 21-25).
Simplificando, isso significa que a idolatria dos ímpios não é uma busca pelo Deus que eles não conhecem ou uma tentativa, embora débil, de encontrá-lo. Antes, é um afastar-se do verdadeiro Deus, a quem eles conhecem. Eles, de acordo com Romanos 1, não estão procurando a verdade, mas suprimindo-a (v. 25). A sua filosofia e religião não representa um pequeno princípio da verdade ou um amor pela verdade, mas a verdade recusada e abandonada. Confirmando tudo isso, a Escritura também deixa claro que a salvação é somente por meio da pregação do evangelho (Rm. 1:16; Rm. 10:14,17; 1Co. 1:18, 21). Cristo e somente Cristo é revelado como o poder e sabedoria de Deus para a salvação, de forma que sem o evangelho não há nenhuma esperança de salvação.
A revelação geral, portanto, serve somente para aumentar a culpa daqueles que não ouvem ou não crêem no evangelho. Ensinar outra coisa é negar o sangue de Jesus Cristo e sua obediência perfeita como o único caminho de salvação, zombando dele e de sua cruz.
Fonte (original): Doctrine according to Godliness,
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing
Association, p. 8-9.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto