quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sobre música do mundo



Braulia Ribeiro

Conheci pessoalmente o Don Richardson, missionário na Papua Nova Guiné, autor do best seller “O Totem da Paz” entre outros livros, amigo, homem humilde e que honra o trabalho que nós brasileiros fazemos entre os índios do Brasil. Numa entrevista particular uma vez, meu marido lhe perguntou: Se voce tivesse de começar de novo, o que faria de diferente no seu ministério entre os sawis? Uma pergunta delicada, na verdade um eufemismo para: - “qual foi o grande erro que você cometeu e que não repetiria se tivesse uma nova oportunidade?”

Ele pensou, pensou, o que é um bom sinal... E finalmente disse: - Duas coisas; primeiro eu não teria traduzido corinhos da igreja Indonésia para a igreja Sawi, e o segundo teria usado dramas ao invés de pregação falada para ensinar o evangelho...

Pode parecer pouco para os não iniciados, mas para nós antropo-etno-linguo-teo-missionários foi a admissão de um grande erro. Ele estava dizendo que teria introduzido o evangelho numa forma cultural sawi e não na forma estrangeira... A maneira de cultuar, a maneira de pregar usada pelos sawis que são quase que 70% cristãos, é estrangeira, eles louvam indonesiamente, talvez até saibam cantar: ...”sim Deus é bom”... na sua própria língua.

Vamos sempre a cultos missionários, tristes a meu ver, quando se canta “yes God is good”, "sim Deus é bom" e por aí afora em muitas línguas, crendo-se que o grande propósito de Deus para o universo humano é formar na terra uma imensa e uniforme igreja evangélica.
 
O erro que Don cometeu, também cometeu os que primeiro nos pregaram o evangelho, e também continuamos cometendo nós líderes cristãos do Brasil de hoje. No último encontro nacional de JOCUM que se crê vanguarda e as vezes é perseguida por ser mesmo vanguarda em alguns aspectos, na frente de quase mil jovens, liderando uma reunião pedi que a equipe de louvor tocasse “Velha Infância” dos Tribalistas para louvarmos a Deus com intimidade. Ao mesmo tempo em que a música trouxe um espírito doce e especialmente terno para toda a platéia, encheu a boca e o coração dos jovens presentes de alegria, muitas pessoas se escandalizaram, e o líder do louvor teve que enfrentar muitas caras feias até o último dia... 

Gosto de tocar “Um índio” de Caetano Veloso quando prego em congressos, e Maria Maria, do Milton que considero músicas essenciais no entendimento de nossa identidade brasileira. Infelizmente nosso Jesus evangélico não é brasileiro. Ele é internacional, e por internacional leia-se americano-europeu do norte. Este Jesus fala inglês, louva medievalmente para algumas denominações e hosana-music-vineyard-mente para outras. Mas como um religioso fariseu, coloca-se sempre à parte da cultura, acima dela, desprezando-a completamente ao invés de restaurá-la, redimí-la, legitimá-la, comunicando-se com ela. Este Jesus fariseu-evangélico ora pelas praças usando shofares se proclamando santo e desprezando tudo e todos ao seu redor. Fala num jargão de gueto cultural, e se comunica apenas com seus “iniciados” e sua mensagem é obsoleta e irrelevante para a população em geral. 




Um dia numa conferência ouvi um pastor repreender em nome de Jesus “a cultura africana de nosso meio”. Coisa triste. Não me admira que na Bahia cresça tanto o número de negros que buscam sua legitimação étnica no Candomblé. 

Formas culturais, danças, músicas ritmos, não são pecadoras ou santas em sua essência. São formas, vasilhas, caixas na qual se depositam as bençãos de Deus, ou maldições... Na mesma conferência me deram vinte minutos para dizer algo, e num acesso de loucura pintei a cara de índia e disse que ainda veria o mesmo povo louvando ao som de centenas de tambores baianos numa timbalada poderosa e santa. Queixos se deslocaram do lugar, cabelos se arrepiaram de horror, mas inúmeras pessoas se sentiram “misteriosamente” livres para amarem quem são suas músicas, suas danças, curtirem MPB e dançarem danças africanas em homenagem ao Deus que criou todos os povos.

Baby do Brasil a cantora, há um tempo atrás, numa conferência me disse que viu o Espírito de Deus de maneira maravilhosa ungir a música “Brasileirinho” e centenas de pastores dançarem ao som do chorinho símbolo do Brasil... É o fim dos tempos? Será que estes pastores se “secularizaram” de maneira perigosa? Ou será que a revelação de que Deus nos ama a nós brasileiros como somos em todas as nossas manifestações culturais está chegando ao Brasil? 

Fico com a última opção. Deus é amor, não é fariseu, exclusivista, preconceituoso, racista.  E além de tudo, só nós ainda não sabemos, Deus é brasileiro.  





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quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Justiça extrema é injustiça." - Marcus Tullius Cícero








Há muito tempo permiti que a vida acendesse em mim a centelha da justiça. Com isso, passei então há observar o que estava de errado para que eu pudesse ser um denunciante das coisas erradas (Jr 51:20). Fazer isso por muito tempo preencheu meu tempo, minha espiritualidade e meu senso de justiça. Com o passar do tempo me tornei um verdadeiro juiz do mundo, e me tornei alguém que o mundo geralmente tem aversão: um perverso juiz.

Mas como eu poderia me calar quando pessoas são enganadas por Malafaias, Macedos e Santiagos? Como eu poderia silenciar quando as ovelhas do Senhor vão sendo alimentadas com pastagem danosa á suas vidas? O mundo precisa de profetas como Jeremias que á porta do Templo pronunciou o oráculo de Javé sem temer uma represália de seus compatriotas (Jr 7) - dizia eu segurando o meu Anel do Poder¹. Assim eu me enxergava.

No entanto, percebi que desde o início da Igreja, sempre houveram desvios de conduta bíblica, distorção de textos para justificar doutrinas, engessamento teológico e grupos que fizeram uso das Escrituras para justificar suas práticas e, acredite, obter lucros. Os negros e índios que foram denominados como pessoas sem alma que o digam, quando o mercado escravagista encheu os cofres ingleses, que eram... cristãos! Sempre houveram escândalos.

Preocupado com os pequenos, com o pequeno Jacó ², Jesus diz que todos aqueles que fazem pequeninos errar, iriam prestar contas com o próprio Deus. Antes anunciar isso, Ele diz que aos pequenos deveríamos acolher e que "o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe" (Mt 18:5). Ele pede que cuidemos de suas ovelhas e dar atenção especial para as menores, ou seja, os mais novos na fé.

Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa! Mateus 18:7

Em momento algum Jesus pede que fiquemos gritando contra as loucuras dos loucos. A nós é dada a tarefa do amparo, do direcionamento espiritual daqueles que não conseguem se defender. É uma tarefa nobre e acredito que deve ser feita por pessoas vocacionadas e não pelas que aparentam serem mais capacitadas. Conheço muita gente capacitada que não suporta o cheiro de ovelha. Uma pena isso.

Não estou dizendo que devemos nos calar diante as pessoas que julgamos estarem agindo de má-Fé. Bem disse Edmund Burke: "Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados". O que motivou-me a parar com essa síndrome de Justiceiro, que até mesmo nos quadrinhos³ é tido como um anti-herói, foi a ausência de amor em meus atos.

Tal síndrome nada tem haver com o Movimento Profético. O Movimento Profético denunciava os erros do povo, mas sempre (sempre!) havia amor em suas palavras. Jeremias foi repreendido pelo Senhor pois clamou por misericórdia pelos pecadores. E muito que vejo nas denúncias dos profetas modernos são deboches sem limite e sem amor pela causa. Diferentemente do Movimento, os novos profetas não chamam os errantes ao arrependimento, antes gastam tempo, tempo este que melhor seria usado no cuidado de pessoas, com rixas que não freiam os erros dos que eles atacam. "Sem amor de nada valem essas coisas"...

Eu já fiz isso muito. Talvez tenha algo no histórico do meu blog que demonstre isso. Agora eu pergunto: qual tele-evangelista ou falso-pastor deixou de cometer seus erros mediante as nossas ofensivas? Nenhum...

O meu sangue ferve ao ver políticos usando o tempo de serviço que deveriam nos prestar, escutando cantores gospel na Câmara dos Deputados ou uma boçalidade gospel ser motivo de zombaria⁴. Mas decidi investir meu tempo em cuidar de pessoas. Pela Fé sei um dia iremos prestar contas á Deus. Nossos atos bons e maus, até mesmo nossos atos de justiça: "todas as nossas justiças como trapo da imundícia" (Is 64:6). É o velho e conhecido versículo "quem pensa estar de pé veja que não caia" (1 Co 10:12).

O que devemos fazer então? Devemos instruí-los! "Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar" (Pv 22:6). Paulo Freire é um dos exponentes da Teologia da Libertação. Ele é considerando um dos poucos que realmente conseguiram implantar os ideais da TL. E o fez pela via do ensino. Se ensinarmos as ovelhas do Senhor a pensar, não precisaremos denunciar os loucos que seguram microfones trajados de terno. Elas mesmas saberão se defender. Foi por falta de conhecimento⁵, disse o Senhor, que o povo sofreu nos dias do profeta Oséias. E o culpado eram os sacerdotes, aqueles que deveriam orientar o povo.

"Se a educação sozinha não pode tranformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda." Paulo Freire

Nossa esperança é de que "a misericórdia e a verdade se encontrarão; a justiça e a paz se beijarão" (Sl 85:10)

¹ - O Anel de Sauron, ou Anel do Poder (como também é referido) é um dos 20 anéis descritos nas obras de J. R. R. Tolkien, O Senhor dos Anéis, O Hobbit e O Silmarillion.
² - O profeta Amós faz alusão aos pobres que não poderiam sobreviver á ira do Senhor, dizendo: "Como poderá resistir Jacó, sendo ele tão pequeno".
³ - http://pt.wikipedia.org/wiki/Punisher
⁴ - Refiro-me a faixa que, provavelmente, foi pendurada do lado de fora de uma igreja e divulgado pelo site Kibeloco.
⁵ - Oséias 4:6

Publicado em http://www.merocristianismo.com/2012/03/sindrome-de-justiceiro.html

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Indígenas da Amazônia têm narrativas similares às da Bíblia



Fonte: Agência USP de Notícias

Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br
http://www.usp.br/agen/wp-content/themes/agen/images/data.gif Publicado em 15/junho/2012 | http://www.usp.br/agen/wp-content/themes/agen/images/editoria.gif Editoria : Sociedade 


A convivência com povos amazônicos, indígenas da região do Nhamundá-Mapuera e do Alto Rio Guamá, por mais de quatro anos, permitiu ao linguista e narratólogo Álvaro Fernando Rodrigues da Cunha identificar semelhanças “inesperadas” entre as narrativas dos índios e histórias bíblicas do Velho Testamento. A partir desta constatação, Cunha realizou cruzamentos entre as narrativas se utilizando de uma ferramenta que ele denominou “Teoria em cruzamento para oralidade e escrituralidade”. “Estamos diante de uma nova Teoria para estudos na área de ciências humanas e sociais”, garante o pesquisador.

“Depois de aprender a língua daqueles povos percebi similaridades, inclusive temporais, com 17 narrativas bíblicas. Tratando-se de povos isolados e que não possuem escrita com a Bíblia é algo, no mínimo, intrigante”, considera o linguista, que defendeu sua tese de doutorado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sobre o tema em questão.

Ele ressalta que no período em que conviveu com os índios, entre 2002 e 2005, eles viviam praticamente isolados da civilização. “Não tenho receio em dizer que as semelhanças podem ser atribuídas a um ‘elo perdido’”, acredita. Segundo Cunha, as narrativas desses povos que habitam a Amazônia têm muita coincidência com as narrativas bíblicas. “Os relatos estão apenas ‘maquiados’ por outras versões existentes noutras culturas”, relata.

Num período do ano de 2004, Cunha conviveu com os tenetehára que habitam o Alto do Rio Guamá, no ramo Ocidental da Amazônia. Lá também foram encontradas semelhanças com as mesmas narrativas do Velho Testamento. “Já entre os mawayana, onde convivi por cerca de seis meses, pude constatar 14 narrativas semelhantes”, narra o linguista.

Em livro
As observações e análises de Cunha junto aos índios tiveram início quando ele decidiu descrever em seu estudo de mestrado, também na FFLCH, a fonologia da língua hakitía. Trata-se de uma língua de origem românica falada pela comunidade judaico-marroquina no norte do Brasil. “A origem do idioma é da Península Ibérica e foi mantida na Amazônia, quando judeus chegaram do Marrocos atraídos pelo ‘ciclo da borracha’, nos séculos 18 e 19”, relata o narratólogo.

Mais tarde, já em seu doutorado, Cunha realizou o estudo Narrativa na (língua judaico-marroquina) hakitía, orientado pelo professor Waldemar Ferreira Netto e apresentado no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH. O pesquisador buscava então suas próprias origens. Mas, ao se deparar com as coincidências nas narrativas optou por analisá-las, principalmente porque tem profundo conhecimento do Velho Testamento.

Os resultados destes estudos constam no livro “Teoria de Cruzamento em Oralidade e Escrituralidade”, recentemente publicado. “Quando afirmo se tratar de uma nova teoria é porque as análises convencionais são, basicamente, unilaterais. Em meu estudo utilizei cruzamentos redefinindo o Etos [traços característicos de um grupo, do ponto de vista social e cultural, que o diferencia de outros], o que nos fez entender melhor as realidades das narrativas”, descreve o linguista.

Outro fato relevante foi a questão da temporalidade das narrativas. “Em geral, as narrativas indígenas eram localizadas nas mesmas épocas das narrativas bíblicas”, conta Cunha. Ao questionar os índios sobre onde aprenderam as histórias, todos diziam ter aprendido com seus antepassados.

“Os Tenetehára contam que havia um povo perseguido e outro perseguidor. O povo perseguido só poderia passar para o outro lado do rio (igarapé) se soubesse pronunciar, com exatidão, a palavra ‘pirá’, (peixe), na língua dos perseguidores (mawayana)”, exemplifica o linguista. “À medida que os índios perseguidos enfileiravam-se para atravessarem o rio (igarapé), os tenetehára lhes perguntavam como se falava a palavra ‘peixe’. Os perseguidos pronunciavam ‘birá’, em vez de ‘pirá’. Só neste dia os tenetehára mataram toda a tribo dos perseguidos”, descreve. 

Segundo Cunha, trata-se da mesma história bíblica de Juízes 12:5 e 6 —  Então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete; porque não o podia pronunciar bem; então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão; e caíram de Efraim naquele tempo quarenta e dois mil.
O linguista afirma que a teoria aplicada em seu estudo pode ser ferramenta útil para as ciências humanas e sociais descreverem e entenderem mais profundamente a noção de cultura, hábitos fundamentais, comportamento, valores, ideias e crenças característicos duma determinada coletividade, época ou região. “A teoria pode ser aproveitada noutras áreas do conhecimento como direito, psicologia, jornalismo, história, geografia, antropologia, dentre outras. O próximo passo é saber quais as astúcias que as narrativas orais escondem de nós”, conclui.

Mais informações: alvarocunha@usp.br, com Álvaro Fernando Rodrigues da Cunha

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Louvado seja eu!




Por Shai Linne ►


O cristianismo hoje está centrado no homem, ao invés de ser centrado em Deus. Deus é obrigado a esperar pacientemente, e até respeitosamente, pelos caprichos dos homens. A imagem de Deus popular atualmente é a de um Pai distraído, lutando em desespero inconsolável para levar as pessoas a aceitarem um Salvador de quem elas não sentem necessidade e em quem possuem muito pouco interesse. Para convencer essas almas autossuficientes a responderem às Suas generosas ofertas, Deus fará quase qualquer coisa; até mesmo usar técnicas de vendas e sussurrar em seus ouvidos do modo mais amigável que possamos imaginar. Essa visão das coisas é, naturalmente, uma espécie de romantismo religioso que, embora muitas vezes use termos elogiosos e por vezes embaraçosos em louvor a Deus, consegue, contudo, fazer do homem a estrela do show.” (A.W. Tozer)
Não quero parecer severo ou crítico demais, mas algum de vocês já notou que a vasta maioria da música que cairia na categoria “Cristã”, na verdade não é a respeito do próprio Deus? Penso que particularmente este é o caso do Hip-hop cristão, mas isso também pode ser visto em outros gêneros. Como posso dizer? Bom, a maioria das músicas que eu ouço é mais sobre NÓS e nossa resposta a Deus, mas não a sobre o próprio Deus. Não me entenda mal. Há um lugar para a música que trata de nossa resposta a Deus, mas quando esse é o caso da esmagadora maioria das músicas, nós lentamente começamos a distorcer a verdade sobre quem é o Deus ao qual deveríamos estar respondendo. A citação de Tozer acima foi escrita mais de 50 anos atrás, mas poderia ter sido escrita ontem. Nossa cultura é extremamente narcisista e antropocêntrica, e parece que muito da música cristã seguiu o exemplo. 

A Bíblia, contudo, é radicalmente teocêntrica, e eu creio que uma visão radicalmente teocêntrica deveria ser refletida nas canções que compomos. Por causa de nossas tendências antropocêntricas, as canções que cantamos sobre Deus geralmente tratam das coisas de que nós gostamos n’Ele (que normalmente são as coisas que diretamente nos beneficiam ao máximo), como Seu amor, sua misericórdia e seu perdão, etc. Essas coisas são gloriosas e nós devemos, sim, compor canções a respeito delas. No entanto, se só falamos a respeito disso, acabamos criando uma visão de Deus incompleta e deficiente, que não está alinhada à Sua autorrevelação.

Então, por exemplo, quando foi a última vez que vocês ouviram uma música contemporânea que tenha ecoado as antigas canções de Davi sobre a retidão e a justiça de Deus (Sl 11:7)? 
Qual sucesso cristão nas paradas canta juntamente com Naum que Deus é “ciumento, vingador e cheio de ira” (Naum 1:2-3)? 
Quem está produzindo músicas que falam do reino soberano de Deus sobre Sua criação (Sl 2 e 115)? 
Vocês podem me indicar uma canção popular que celebra a onisciência de Deus junto com Ana (1Sm 2:3)? 
E a eternidade de Deus, juntamente com Moisés (Sl 90:2)? E os julgamentos de Deus, juntamente com Miriã (Êx 15:21)? 
Essas coisas são ditas com frequência nas Escrituras, particularmente no contexto de canções Bíblicas, e ainda assim elas tendem a estar amplamente ausentes de nossas canções hoje em dia. Não quero dizer que ninguém esteja fazendo isso. 

Deus tem levantado um número crescente de compositores que estão expondo sobre Seu caráter. Mas quando algo tão fundamental e essencial tem sido tão mal feito, se torna importante que outros se preparem e contribuam. O álbum Os Atributos de Deus* é simplesmente minha tentativa de tal contribuição.
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* Álbum de RAP cristão intitulado de “Os Atributos de Deus”, onde todas as canções falam sobre um ponto do Ser de Deus.

Por Shai Linne © Lyrical Theology. Website: lyricaltheology.blogspot.com


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sobre as tábuas de carne do coração! – C. H. Spurgeon




O Reino de Cristo é um reino, é estranho dizê-lo, no qual as leis do rei, não estão nenhuma delas, escritas em papel. As leis do rei não são proclamadas pela boca do arauto, mas escritas no coração. Você não percebe que na narrativa Cristo manda seus servos ir e pegar seu corcel real, tal qual ele estava, e esta era a lei: "Soltai-o e deixai-o ir?" Mas onde estava escrita a lei? Estava escrita no coração do homem a quem pertenciam a jumenta e o jumentinho, pois ele imediatamente disse: "Deixai-os ir" cordialmente e com grande alegria; ele pensou ser uma grande honra contribuir para a cerimônia real deste grande Rei de paz. Assim, irmãos, no reino de Cristo você não verá nenhum enorme livro de leis, nem juristas, nem procuradores, nem advogados que necessitem esclarecer a lei.



O livro da lei está aqui no coração, o advogado está aqui na consciência, à lei está escrita não mais em pergaminho, nem mais promulgada e escrita, como foram os decretos de Roma, sobre aço e aflição, mas sobre as tábuas de carne do coração. A vontade humana é persuadida à obediência, o coração humano é moldado à imagem de Cristo, seu desejo se torna o desejo de seus súditos, sua glória seu alvo principal, e sua lei o maior deleite de suas almas. Estranho reino este, que não necessita de nenhuma lei, salvo aquelas que são escritas sobre o coração de seus súditos.


Estranho ainda, como alguns pensarão dele, este era um reino no qual riquezas incertas não partilham o que quer que seja de sua glória. Lá vai o Rei, o mais pobre de toda a classe, por que aquele Rei não tinha onde reclinar a cabeça. Lá vai o Rei, o mais pobre de todos, sobre o jumento de outro homem que ele tinha emprestado. Lá vai o Rei, alguém que está para morrer; desprovido de seu manto para morrer nu e exposto. E ele ainda é o Rei do seu reino, o Principal, o Príncipe, o Líder, o Coroado de toda a geração, simplesmente porque ele tinha o mínimo. Ele era quem tinha dado mais aos outros e retido o mínimo para si mesmo. Ele que era o menos egoísta e mais abnegado, ele que viveu o máximo para os outros, era o Rei deste reino. E olhe para os cortesãos, olhe para os príncipes! Eles eram todos pobres também; eles não tinham nenhuma bandeira para colocar do lado de fora das janelas, então eles lançaram suas pobres roupas sobre as sacadas ou as penduraram das janelas quando ele passava.


Eles não tinha púrpura brilhante para fazer um tapete para os pés de seu jumento, então eles lançaram suas próprias roupas surradas no caminho, eles espalharam ao longo do caminho ramos de palmeira que eles podiam facilmente obter das árvores que guarneciam a estrada, porque eles não tinham nenhum dinheiro com o qual custear a despesa de um grande triunfo. A cada caminho este era um pobre fato. Nenhum brilho de ouro, nenhuma bandeira ostentada, nenhum soprar de trombetas de prata, nenhuma pompa, nenhuma circunstância! Era o triunfo da própria pobreza. Pobreza entronizada sobre o animal próprio da pobreza cavalgando através das ruas. Estranho reino este, irmãos! Eu creio que nós o reconhecemos - um reino no qual aquele que é o principal entre nós, não é aquele que é mais rico em ouro, mas aquele que é mais rico em fé; um reino que não depende de nenhum rendimento exceto o rendimento da divina graça, um reino que oferece a cada homem sentar-se sob sua sombra com deleite, seja ele rico ou pobre.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Gemendo com a criação



 Por Vincent Cheung
  
A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados. Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. (Romanos 8.19-23)

De acordo com o plano de Deus, quando Adão caiu em pecado, arrastou consigo a criação. Como Deus disse ao homem, “maldita é a terra por sua causa” (Gênesis 3.17). O resultado não foi que o homem deveria aprender a cuidar da terra e cooperar com ela para obter sustento a partir dela. Antes, Deus disse que agora a terra haveria de resistir ao homem, tal que o homem teria de subjugar a terra para tomar dela o que precisasse (v.18). Então, após certo tempo o homem morreria e seu corpo voltaria para a terra (v. 19). Quando duas partes lutam sob a maldição de Deus, nenhuma delas sai vencedora. Desde aquele tempo toda a criação gemia por libertação até o tempo de Paulo, e tem continuado a gemer até agora, pois o que ela anseia ainda não veio.

Assim, muito antes de se tornar poluída com garrafas de plástico, a criação já tinha se poluído com pecadores, com não cristãos. Ela não geme porque anseia se livrar das fábricas e dos arranha-céus, mas para ser libertada da escravidão e decadência que lhe sobreveio por causa do pecado. Esse dia é marcado pela revelação dos filhos de Deus, isto é, quando Deus definitivamente vindicar seu povo e completar sua adoção pela redenção de seus corpos, a ressurreição dos santos. A libertação dela está vinculada à salvação de que gozam os cristãos, à “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. O corolário disso é que a criação anseia por se livrar dos não cristãos, de sorte que os mansos herdarão a terra.

Assim, ambientalistas não cristãos fazem uma zombaria da criação, pois são os que causam os sofrimentos dela, não por seus copos sintéticos, mas por sua própria existência! E os cristãos que acompanham os fanáticos não cristãos em seu zelo ambientalista são apenas igualmente provocativos, pois permanecer limpa e viva não é o que a criação almeja. Um prisioneiro pode apreciar alguns livros e revistas de seu advogado de defesa para ajudá-lo a passar o tempo, mas quando o procurador se põe a discutir a literatura com ele, o prisioneiro provavelmente haverá de se queixar que o tempo poderia ser melhor gasto trabalhando no caso em prol de sua liberdade. Um advogado que consente com o que é bom, mas secundário, para distraí-lo do que é melhor e necessário é um mau advogado. Um cristão que consente até mesmo com interesses ambientais legítimos para distraí-lo da promoção da mensagem de Cristo é um mau cristão. Um verdadeiro amigo da criação colocará sempre o evangelho em primeiro lugar.

Alguns cristãos não são muito bons na pregação, na escrita, na oração, no aconselhamento, ou mesmo em conduzir o trânsito no estacionamento da igreja. Eles são quase inúteis quando se trata de algo importante. Se estas pessoas desejam focar a reciclagem, não tenho nenhum problema com isso. Elas podem até mesmo alegar que estão cumprindo o “mandato cultural” e à força tornar isso parte do ministério evangélico a fim de se sentirem melhores com isso, enquanto o resto de nós labuta na verdadeira comissão que Cristo nos deu. Se isto soa muito duro contra aqueles que laboram tão arduamente para melhorar o ambiente, o ponto principal é que a nossa prioridade deve ser promover a mensagem cristã sobre pecado e justiça, sobre condenação e salvação, e sobre a encarnação, crucificação, expiação e ressurreição de Jesus Cristo. Qualquer outro item, não importa quão prático ou desejável seja, não pode ser combinado ou equiparado com isso, e deve assumir um distante segundo lugar.

Hoje em dia, pessoas esfaqueariam seu vizinho até a morte ao invés de permitir que seus gatos e tartarugas passassem fome, mas a própria criação anseia se libertar de pessoas imbecis como essas. Somente os cristãos estão em sintonia com a criação, pois anseiam a mesma coisa — não energia alternativa, quão maravilhosa ela possa ser, mas a consumação da aplicação da redenção. Eles não anseiam a preservação, mas a culminação; não anseiam a perpetuação, mas a consumação. Claro, os não cristãos não partilham dessa preocupação, pois é também o dia em que serão lançados no fogo do inferno. Por essa razão, os não cristãos serão sempre inimigos da criação. Como cristãos, gememos junto com toda a criação não pela salvação dos ursos polares, mas por um ponto final no pecado e pela redenção de nossos corpos.

Jesus Cristo é a única esperança para a humanidade e para a criação. Se a criação pudesse falar, repreenderia alguns de nós por nos colocarmos como seus salvadores. Quanta arrogância! Que negligência da verdade e do dever! Sejam gentis com os animais e sejam bons para a criação. Sou extremamente afeiçoado a animais, e ainda mais afeiçoado a água e ar limpo — mas lembre-se da verdadeira obra do evangelho e ponha isso acima de todas as outras considerações. Não alimente a noção ridícula de que salvar o ambiente é tão importante quanto salvar almas humanas. Certamente, estas não são coisas mutuamente exclusivas, mas são duas coisas diferentes, e uma é claramente mais importante que a outra. Se uma escolha deve ser feita, o ministério do evangelho deve vir sempre em primeiro lugar.

Vá salvar baleias se você quiser — especialmente se você tende a ficar no meu caminho quando tenta trabalho ministerial —, mas não glorifique isso como uma busca heroica. As baleias também gemem para que vocês, fanáticos irritantes, deixem-nas sozinhas e preguem o evangelho aos homens e mulheres de seu círculo de convivência. E se vocês devem aborrecer as baleias porque são maus pregadores (as baleias não precisam saber disto), que ao menos orem, enquanto limpam suas narinas, por aqueles que compartilham da preocupação real da criação. Assim, tanto os pregadores como as baleias lhes serão gratos.

Fonte: [ Monergismo ]

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Perseguidos pela verdade



"Há cristãos na Rússia, eles se encontram no subsolo,
Na China, eles são mortos quando eles são encontrados.
E em Cuba os cristãos vivem nas montanhas
Porque não é seguro nas cidades. 

E pensar que isso poderia acontecer aqui na América,
Eu sei que você acha que não é verdade,
Mas está acontecendo com os cristãos aqui na América,
Espere até que aconteça com você. 

Os cristãos em Berkeley está passando Bíblias
E o alimento a quem tem fome
Eles estão esperando para ajudar as pessoas desta maneira.
Mas há ameaças da vida
De seus líderes e esposas,
Eles não são bem-vindos para ficar. 

E pensar que isso poderia acontecer aqui na América,
Talvez você pense que não é verdade,
Se você não vê acontecendo com os cristãos aqui na América,
Espere até que aconteça com você. 

Há uma igreja clandestina e está seguindo Jesus
E esperando para atender às necessidades das pessoas
Mas não temos tempo para construir belas igrejas pequenas,
Além de não precisar -
Nós estamos levando a nossa igreja nas ruas. 

E nós estamos distribuindo folhetos e panfletos clandestinos
De Buffalo para Monterey
E nós estamos falando sobre Jesus e, de repente
Nós somos presos e levados. 

Então eu lhe pergunto, América, onde você está?
Seu povo está morrendo de fome, eles estão derrotados e estão estuprados
E eles estão morrendo em celas, então quais são seus planos?
Eu não estou falando com você congresso ou políticos
Ou Panteras Negras ou muçulmanos ou Nixon ou Birch,
Estou dirigindo esta música para a igreja. 

Porque eu estive em suas igrejas e sentei-me em seus bancos
E ouvi sermões sobre quanto dinheiro você vai precisar para o ano.
E eu ouvi que você faz referência a mexicanos, chineses, negros e judeus
E eu percebo que você deseja que todos nós sumíssemos. 

E vocês se chamam cristãos, quando na verdade vocês não são,
Vocês estão vivendo suas vidas como querem.
Se você é realmente um cristão, coloque-se no seu lugar
E siga onde quer que Deus queira nos levar. 

Eu não estou falando de religião, estou falando sobre Jesus,
Coloque todos os seus planos na prateleira,
Vamos parar de marchar para a paz, e começar a marchar para Jesus
E a paz vai cuidar de si mesmo. 

Bem, eu rezo para que nós, cristãos, saiamos dos nossos sofás
E defendamos o que acreditamos
O tempo é muito curto, e Cristo está voltando
É melhor se preparar para sair. 

Nós que somos cristãos devemos acender a luz,
Então, a verdade vai brilhar como o dia
Jesus virá como um ladrão na noite,
E ele vai levar todos que o amam embora. 

Há cristãos na Rússia, eles se encontram no subsolo,
Na China, eles são mortos quando eles são encontrados.
E em Cuba os cristãos vivem nas montanhas
Porque não é seguro nas cidades. 

E pensar que isso poderia acontecer aqui na América,
Eu vejo vocês balançando suas cabeças e eu ouço-os dizer:
'Ele só não pode estar falando a verdade.'
Mas aconteceu comigo aqui na América,
Espere até que aconteça com você." 

(Larry Norman - Right Here In America) 

E nós como igreja o que estamos fazendo???




terça-feira, 12 de junho de 2012

DOCUMENTÁRIO: "SCRIPTORIUM - A HISTÓRIA DA BÍBLIA" (COMPLETO!!)

Uma das tarefas da disciplina da Introdução Bíblica é entender como a Bíblia assumiu a forma que tem hoje. Várias outras ciências estão presentes neste processo, com a Crítica Textual, Filologia, Hermenêutica, Crítica da Fonte e, mais recentemente, Arqueologia Bíblica. Conceitos conservadores de interpretação bíblica, como o conceito de inspiração "Verbal-Plenária", em que se entende que as palavras da Bíblia são inspiradas por Deus, também fazem parte do estudo bíblico-doutrinário das Escrituras Sagradas. Um panorama por estas especialidades diferentes e a harmonia que existe entre as mesmas é o foco deste documentário, intitulado "Scriptorium". Este nome evoca as antigas salas de cópia em que os monges no período medieval usavam para copiar livros antigos e, dentre os mesmos, a Bíblia, uma maneira, reconhecidamente, de Deus preservar sua Palavra às gerações posteriores. Convido-o, prezado internauta, a parar um pouco e assistir este interessantíssimo documentário. Sua linguagem, apesar de evocar conceitos técnicos, é fácil e acessível a qualquer pessoa. Uma excelente ferramenta para se saber mais sobre a históra da composição e preservação das Sagradas Escrituras! Bom vídeo!!


domingo, 10 de junho de 2012

Heber Campos – A Centralidade de Cristo em nossos Pensamentos e em nossas Atitudes


Texto base: Marcos 12:28-30

Se compararmos o texto de Marcos com o texto original (Dt 6:5) perceberemos que Cristo adiciona o amar com “todo entendimento”. O ponto é deixar claro que temos que amar a Deus com todo nosso ser, inclusive nosso pensar. Mas pense sobre isso. Será que estamos acostumados a amar alguém com nossa mente? Falamos: “eu te amo de todo coração” ou “eu te amo de toda minha alma”, mas quem fala “eu te amo com todo meu cérebro”? Então, como amar a Deus com toda nossa mente, tendo nosso pensamento centrado em Cristo, principalmente fora da igreja?
Amar a Deus com todo o teu entendimento
Precisamos aprender a ter prazer tanto ao ler a Bíblia, quanto ao ler o livro da natureza, as coisas que Deus criou. E esse pensar faz com que nosso amor desperte. Quando você ama alguém você busca conhecê-la. Da mesma forma, quem ama a Deus irá buscar conhecê-lo; e quanto mais o conhecermos, mais glorioso Ele será aos nossos olhos.
Amar a Deus com todo o teu entendimento
Somos chamados para amar a Deus com o entendimento que já temos dele. Precisamos crescer em entendimento, mas isso não significa que para amar a Deus você precisa antes ser um PhD.
Amar a Deus com todo o teu entendimento
E este é o desafio: todo nosso pensamento, quer extensivamente (todo tipo de pensamento), como intensivamente (com todo empenho).
A primeira coisa que precisamos aprender disso é não dividir a mente, como se houvesse uma mentalidade para a igreja e outra para fora da igreja. A divisão não é se algo é de igreja (“gospel”) ou não, mas se Deus é honrado ou não – e isso pode acontecer tanto dentro como fora da igreja.
Em segundo lugar, será que pensamos como o mundo? Alguns exemplos:
  • O que é preciso para casar? Estabilidade financeira? Terminar a faculdade, mestrado, doutorado? Construir a casa própria? Não é assim que o mundo pensa? Será que temos, como o mundo, confiado no dinheiro ou temos confiado em Deus?
  • Tratamos fé e trabalho são coisas separadas? Será que um cristão pode trabalhar em qualquer coisa? Seu trabalho fere princípios morais da Escritura?
  • Somos seguidores ou criados de cultura? Será que estamos copiando as coisas do mundo e adicionado o termo “gospel” depois?
Se você pensa como o mundo, você será mundano mesmo que esteja dentro da igreja. Mas seja encorajado pelo exemplo de Daniel, que fez apesar de ter feito “a faculdade da Babilônia” (e você não precisa fugir da sua faculdade) não se contaminou com as coisas do mundo e manteve sua santidade e cosmovisão.

A centralidade de Cristo em nossas atitudes

Texto Base: Daniel 3
Eu comecei com o pensar e agora falarei de nossas atitudes, isso porque para a atitude ser correta, a mente tem que ser antes transformada.
Quero novamente deixar claro que mundanismo não é um local onde você possa estar, mas um vírus que pode contaminar tudo o que você faz, quer você esteja na igreja ou não. Deixe-me dar alguns exemplos de atitudes mundanas que nos infectam:
  • Quantos de nós, mesmo sendo cristãos, trabalhamos pensando no final de semana, dando graças a Deus que é sexta-feira? Isso porque pensamos que o trabalho é um fardo e que o bom é se divertir e gastar dinheiro. Essa é a forma que o mundo pensa. Um cristão entende que durante a semana, no trabalho, ele está em seu campo missionário e que no final de semana ele se recarrega e prepara para trabalhar de segunda a sexta.
  • Será que buscamos relacionamentos somente baseado em afinidade? Ou você busca amigos com o intuito de mostrar graça, como Jesus que andava com prostitutas, publicanos?
Saiba que o mundo impõe e pressiona um estilo de vida sobre todos, assim como Nabucodonosor impôs a adoração ao seu ídolo. E, infelizmente¸ muitos cristãos sedem a essa pressão. Por exemplo, você considera ter algumas dessas atitudes?
  • Imagina você escolher ter um namoro onde você escolhe ter pouco contato físico, porque você sabe que muito contato físico pode levá-lo ao pecado. Nós queremos namorar como o mundo namora, mas não queremos lidar com as consequências.
  • Imagina você optar por um emprego que paga menos, porque você pode passar mais tempo com sua família e sua igreja.
  • Imagina você jovem optar por não voltar tarde no sábado, porque depois é domingo e tem escola dominical. O mundo diz que sábado é o dia de passear e nós acabamos pensando e agindo dessa forma.
  • Imagina você deixar de assistir o jogo do seu time no domingo para praticar atos de misericórdia. O dia do Senhor para Jesus era o dia que Ele agia de forma redentiva.
Que tipo de pensamento e atitude tem dominado você?
Saiba também que o mundo não irá aceitar se você decidir seguir a Cristo. O mundo primeiro impõe seu estilo de vida e, se tentamos resistir, ele irá tentar nos persuadir e se, mesmo assim, permanecermos fiel, o mundo nos perseguirá. Não foi isso que Nabucodonosor fez a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego?
É por isso que Paulo diz que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3:12). Se você viver piedosamente em Cristo ou as pessoas que vivem do seu lado irão se converter ou odiá-lo. Os três amigos não sabiam o fim da história, mas mesmo assim, ao custo da vida deles, não se dobraram ao mundo. Eles estavam dispostos a perder a vida por amor ao Deus deles.
Porém, no final da história, Deus honrou a fé dos três amigos. Perceba que Deus não tirou seus servos da tribulação, mas os livrou em meio da tribulação. Deus não livrou do fogo, mas no fogo (Isaías 43:1,2). Deus mostrou que estava com aqueles que creem nele. Quão importante é sabermos que Cristo está conosco. Não é fácil evangelizar neste mundo tão pagão, mas Cristo promete estar conosco (Mt 28:19,20). Não é fácil repreender um irmão em pecado, mas Cristo promete estar conosco (Mt 18:15-20). Receba isso do Senhor: Ele promete ser o centro de nossa vida se enfrentarmos a fornalha.
E, por fim, perceba que dois benefícios surgem quando somos provados e aprovados:
  1. nossa fé cresce
  2. testemunhamos ao mundo – assim como Nabucodonosor reconheceu o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.
Que Deus nos dê coragem para confiar neste Deus mesmo no meio das provações e ter uma atitude livre.
Por Heber Campos na 10ª Conferência Fiel para Jovens © Editora Fiel
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