quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Somos todos cadelas




Somos todos cadelas
Rosnando a quem se aproxime
Ou ameace nossos interesses.

São planos e bens
Visões do além
Crenças, opções sexuais
Que abraçamos acima de tudo e de todos
 E ai de quem fale contra, de quem ouse contrariar
Ai de quem manifeste  contrariedade
Ou tente nos questionar.
A sociedade não importa,
Mostramos os dentes
Porque somos cadelas em frente à cria de nossas histórias
São vidas vazias, são outras memórias
Pecado social (injustiça institucionalizada): eu defendo o que é meu
Ai de quem ultrapassar minha fronteira.
Sou cadela enfurecida, uso a lei a meu favor,
E mesmo quando se manifesta em prol do que lhe é próximo
Ganha IBOPE com isso, alimenta seu ego, planos e labor.
Somos todos cadelas no ninho a rosnar.
Somos todos injustos, cada um buscando seu interesse
Erguendo o punho a praguejar
Contra o diferente, o estranho, aquele que me vem discordar
Não vivemos mais juntos, não nos unimos, não lutamos uns pelos outros.
Somos ingratas cadelas
Preocupados em defender nossos deuses sem nenhuma capacidade de olhar para quem se encontra ao nosso lado, muito menos lhe estender a mão.
Deus não precisa de advogados, não há quem possa defendê-lo. Nunca Ele manifestou desejo de que fôssemos contra os que inventam argumentos para refutar nossa fé.
Mas como cadelas em torno de nossa cria que nada mais é que um deus inventado que precisa ser defendido, precisa ser  ajudado com nossas orações de poder, nos levantamos em fúria, em nossas manifestações  e campanhas para desmoralizar aqueles a quem deveríamos amar.
Porque se Deus, a quem precisamos amar acima de todas as coisas, se fez carne, tornando-se um homem, fica evidente que precisamos amar a humanidade – a cara que Deus assumiu.
Mas cadelas não amam. Cadelas agem por instinto, apegadas em seu zelo por sobrevivência. 
Como cadelas vagamos  agarrados em nossas opções sexuais, lutando com unhas e dentes contra os diferentes.  Não os amamos, não os recebemos em nossas casas, não os queremos visíveis aos nossos olhos.
Porque somos cadelas, e certas escolhas ferem nossas convicções. E cadelas não sabem amar.
Como cadelas gritamos contra os que se entregam a cultos religiosos com os quais não concordamos. São visões diferentes, estranhas, e não pensamos numa possibilidade de convivência pacífica. Porque somos cadelas, tal convivência não interessa, contanto que se defenda somente o que se concorda.
Nossa cria são nossas visões cristalizadas, as condições que impomos aos outros para que se aproximem de nós, os planos dos quais não abrimos mão, as decisões sobre as quais não permitimos questionamento, são nossos preconceitos, os rótulos que colocamos sobre as pessoas. Cada item defendido como se não houvesse outra opção, como se o mundo girasse em torno de nossas cabeças – nos tornamos os deuses de nós mesmos, as cadelas enfurecidas prontas para atacar o primeiro que se atrever a ameaçá-las.
Quando deixarmos de agir como cadelas neste mundo de ninguém, olharemos mais para o outro do que para o próprio umbigo, e o Reino de Deus que é coletivo poderá ser instaurado em pessoas que lutam contra a injustiça, ainda que institucionalizada, buscando a paz e priorizando o pobre, o excluído e o marginalizado, como Jesus fez.
Se não quisermos mudar de atitude, de pensamento, nem de prioridades, não seremos nada além de cadelas numa geração consumista e alienada das conseqüências do que faz.
Cadelas egoístas, que usam seus relacionamentos a fim de proteger seus objetivos.
Cadelas. Nada mais que cadelas.

Angela Natel
29/08/2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Seja uma Mulher-Maravilhosa


Quem não se lembra de quando criança querer ser um super-herói? Pois é, eu me lembro que no meu tempo, enquanto os meninos queriam ser o Super-Homem, as meninas admiravam e desejavam ser a Mulher-Maravilha – com aqueles cabelos impecáveis, corpo escultural, braceletes indestrutíveis, laço mágico e um jato invisível de causar inveja ao Air Force One de Barack Obama; fora a tiara que podia ser usada como bumerangue, a força física sobre-humana e a velocidade de tirar o fôlego. Tempos bons que não voltam mais aqueles de criança!

Meninas atuarem Mulher-Maravilha ainda vá lá, afinal, faz parte da infância brincar no mundo da fantasia, mas mulheres tentarem bancar esta heroína com superpoderes, além de ridículo, pois já são crescidinhas, é cultivar a frustração. Pois Deus, quando criou a mulher, imaginou uma pessoa idônea, companheira e ajudadora do homem, ou seja uma Mulher-Maravilhosa e não uma Mulher-Maravilha (Gn 2.18).

Mas o feminismo conseguiu convencer as mulheres de que elas não precisam dos homens e que podem fazer tudo sozinhas, pois possuem habilidades quase superpoderosas. O problema é que "o feminismo não foi honesto com as mulheres", afirmou Camille Paglia, intelectual e escritora americana que se diz dissidente do feminismo do final da década de 1960.

Em entrevista à revista ÉPOCA (05/03/12 – pg. 88-90), Paglia diz que o movimento iludiu uma geração inteira ao afirmar que era possível cuidar da carreira primeiro e ter filhos e/ou família depois. Quando essas profissionais finalmente decidiram constituir família e ter filhos, "elas não conseguiram encontrar parceiros ou tiveram problemas de fertilidade. Seus planos foram frustrados pela natureza. As feministas estavam erradas ao exaltar a mulher profissional como mais importante que a mulher mãe e esposa".

Perguntada sobre por que as mulheres sofrem para se sentir realizadas, Camille respondeu que "a infelicidade que muitas mulheres sentem hoje resulta em parte da incerteza delas sobre quem são e sobre o que querem nesta sociedade materialista, voltada para o status, que espera que a mulher se comporte como homem [forte e poderosa – Mulher-Maravilha] e ainda seja capaz de amar como mulher. (...) Mas homens e mulheres sentem e expressam emoções de maneira diversa, porque os hormônios atingem o cérebro dos dois sexos em níveis diferentes".

Deus não muda. A essência da mulher também não. Ela deve ser ajudadora e não cabeça. Deve ser companheira e não competidora. Idônea e não indiscreta. E quando tentam mudar isso, o resultado é fracasso, frustração e muitas amarguras. Todos temos ouvido relatos de mulheres financeiramente independentes, realizadas profissionalmente e belas fisicamente, mas infelizes, pois o desejo mais profundo delas é se realizarem como mulheres, tal qual foram planejadas por Deus.

Quando uma "dissidente" do movimento feminista bota a boca no trombone e declara que a ideologia corrente é no mínimo desonesta, nós, o povo de Deus, deveríamos parar para pensar. Povo de Deus, as pedras estão clamando! Ouça o que o Espírito diz à Igreja. Se há realização plena para o ser humano, a mulher aqui em questão, esta não está nos padrões deste mundo, mas nos ideais da Palavra de Deus.

Pare de bancar a Mulher-Maravilha. Seja, sim, uma Mulher-Maravilhosa. Sabe por quê? "Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera. A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada" (Pv 31.29-30).

Mulher-Maravilha não existe. É coisa de criança. É fantasia. Mulher-Maravilhosa existe. É projeto de Deus. É realidade. Seja uma Mulher-Maravilhosa.




Fonte: Igreja Batista Central de Campinas


http://libertosdoopressor.blogspot.com.br/2012/08/seja-uma-mulher-maravilhosa.html

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com todos.




Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israelexperimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios.

E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade.E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

Quanto ao evangelho, eles são inimigos por causa de vocês; mas quanto à eleição, (eles) são amados por causa dos patriarcas, pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.

Assim como vocês, que antes eram desobedientes a Deus mas agora receberam misericórdia, graças àdesobediência deles, assim também agora eles se tornaram desobedientesa fim de que também recebam agora misericórdiagraças à misericórdia de Deus para com vocês.

Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com  todos

(Romanos 11:25-32)


Desde o capítulo 9 de Romanos, Paulo está falando do povo de Israel (Romanos 9:3-4) e inclusive lamenta pela incredulidade deles, sendo que neste mesmo capítulo ele faz a distinção entre os judeus filhos legítimos da promessa e os demais (9:7-8). Ele prossegue falando da doutrina da eleição (cuja ordem lógica ele já havia mencionado em Romanos 8:28-33) .

No capítulo 10 ele frisa o fato dos judeus buscarem a salvação pelas obras da Lei, e inicia seu discurso de igualdade entre judeus e gentios referente à salvação pela Graça (10:10-12). Desde os primeiros capítulos do livro de Romanos, Paulo já havia demonstrado que  todos (judeus e gentios)são indesculpáveis perante Deus (1:21), mesmo que não tivessem o conhecimento da Lei (2:15) e que  todos (judeus gentios) não buscam a Deus, não são justos (3:10-12).

Então no capítulo 11 ele mostra que o povo judeu era considerado a videira natural (pois recebeu a revelação divina e o próprio Messias partiu deste povo), mas que a partir da rejeição desse povo os gentios foram enxertados (11:7-11).. 

Desta forma, desde o capítulo 9 há essa distinção entre gentios judeus, em relação ao propósito de Deus e o "desenrolar" do plano da salvação, e desde o início do livro é demonstrado que ambos os grupos estão debaixo do pecado e necessitam de salvação.

Dito isso, fica muito mais claro o versículo 32:

"Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com todos."

Todos = gentios + judeus.

 A grande distinção que os próprios judeus faziam em relação aos gentios é então "quebrada" por Paulo, ao demonstrar que ambos os grupos era constituído de pecadores, injustos; que igualmente se tornaram alvo da misericórdia divina.

"Todosnão significa "todos os indivíduos do mundo", ou teríamos que crer em uma salvação geral de todas as pessoas (universalismo), além do fato de que essa ideia tornaria estranho um outro versículo:

Pois ele diz a Moisés: "Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão".

(Romanos 9:15)

Se crermos que essa misericórdia se estende igualmente sobre todos então esse versículo acima se torna inútil e sem sentido, apenas um enfeite na bíblia (para não dizer que gera uma contradição).

Deus exerce Sua Soberania sobre a salvação e ela inclui tanto gentios  quanto  judeus como alvo dessa misericórdia, então não faz qualquer sentido pensarmos que esse versículo (11:32) anula tudo aquilo que vinha sendo exposto até então no livro, sobre a eleição e a justificação pela fé. O uso do termo "pois" confirma que este versículo traz uma justificativa, uma explicação sobre o contexto que vinha sendo tratado anteriormente no livro, então não tem cabimento interpretar nesse versículo uma suposta salvação geral sem comprometer todo o livro de Romanos.

O que podemos entender é que, no grupo dos salvos não existe acepção entre judeus e gentios, há pessoas que originalmente pertenciam aos 2 grupos, sendo que a divisão que realmente existe é justamente entresalvos (eleitos) não-salvos (não-eleitos), e este é assunto para a próxima postagem.. 

;)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A "Causa Primeira" dispensa o uso da bíblia



Nota: O raciocínio cosmológico afirma que tudo que começou a existir tem uma causa. Se o Universo veio a existir, então nem sempre ele existiu. Logo, o Universo tem uma Causa Primeira.
Alguém pode pensar que você precisa confiar numa Bíblia ou em algum outro tipo de assim chamada revelação religiosa para responder a essa pergunta, mas, outra vez, não precisamos de nenhum livro sagrado para descobrir isso.

Albert Einstein estava certo quando disse: "A ciência sem a religião é aleijada; a religião sem a ciência é cega". A religião pode tanto ser informada quanto confirmada pela ciência, como acontece no caso do argumento cosmológico, ou seja, podemos descobrir algumas características da Causa Primeira simplesmente com base na evidência que discutimos neste capítulo. Dessa evidência, sabemos que a Causa Primeira deve ser:

Auto-existente, atemporal, não espacial e imaterial (uma vez que a Causa Primeira criou o tempo, o espaço e a matéria, a Causa Primeira deve obrigatoriamente estar fora do tempo, do espaço e da matéria). Em outras palavras, não tem limites ou é infinita.
Inimaginavelmente poderosa para criar todo o Universo do nada.
Supremamente inteligente para planejar o Universo com precisão tão incrível (veremos mais sobre isso no capítulo seguinte).
Pessoal, com o objetivo de optar por converter um estado de nulidade em um Universo tempo-espaço-matéria (uma força impessoal não tem capacidade de tomar decisões).

Essas características da Causa Primeira são exatamente as características teístas atribuídas a Deus. Mais uma vez, essas características não são baseadas na religião ou em experiências subjetivas de alguém. Foram tiradas da comprovação científica* que acabamos de analisar e nos ajudam a ver uma seção importantíssima da tampa da caixa do quebra-cabeça que chamamos de vida.

Extrato do livro:
Não tenho fé suficiente para ser ateu (pgs 67 e 68)
Norman Geisler & Frank Turek
ISBN: 85-7367-928

Esclarecendo:

O capítulo 3 do livro trata sobre evidências científicas do Big Bang, i.e, de que o Universo teve um começo, e de que, esse início aponta para uma Causa Primeira.

Dica preciosa do Alexandre do Christian-Nerd-Brasil

Read more: http://www.cristaoconfuso.com/2012/08/a-causa-primeira-dispensa-o-uso-da.html#ixzz23cSGQK2x

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Arcebispo Anglicano e ganhador do Nobel da Paz afirma: Deus não é monopólio da fé cristã Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/08/arcebispo-anglicano-e-ganhador-do-nobel.html#ixzz23RpLXjcO Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike



Arcebispo Desmond Tutu diz que Deus não é monopólio da fé cristã.


CRISTIANISMO HOJE
Por Carlos Fernandes

Não é muito comum um cristão relativizar sua crença a ponto de considerar outras religiões em pé de igualdade com ela. Menos ainda quando esse cristão é um líder respeitado dentro e fora de sua Igreja, e faz do Evangelho de Jesus a bandeira de sua atuação, de esfera mundial. Contudo, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, aos 80 anos de idade, pode dizer o que pensa sem medo de patrulhamento. É que ele já sofreu ao longo da vida o seu quinhão de questionamentos e restrições e hoje é uma personalidade global situada no mesmo patamar mítico de ilustres pacifistas como o conterrâneo Nelson Mandela, o indiano Mahatma Gandhi ou o tibetano Dalai Lama. A visão lúcida que tem da própria fé é o escopo do livro Deus não é cristão e outras provocações, organizado pelo jornalista – e também sul-africano – John Allen. A obra chegou ao país pela Thomas Nelson Brasil com a presença do próprio arcebispo, por ocasião do 5º Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação, em São Paulo.

O livro reúne diversos mensagens e discursos do religioso, arcebispo jubilado da Cidade do Cabo, o mais alto posto da Igreja Anglicana na África do Sul. Nobel da Paz em 1984, Tutu teve papel de protagonista na luta contra o regime racista do appartheid em seu país, extinto no início da década de 1990 sob a execração mundial. Tolerância, solidariedade, igualdade entre os homens e o amor divino perpassam as páginas, nas quais Tutu se revela extremamente doce e contundente ao mesmo tempo – sem abrir mão da polêmica, inclusive em temas espinhosos para os crentes em geral, como homossexualismo e ecumenismo.

Antes de sua chegada ao Brasil, o arcebispo Desmond Tutu atendeu com exclusividade a reportagem de CRISTIANISMO HOJE através de seus editores no Brasil:


CRISTIANISMO HOJE – O senhor lança Deus não é cristão em um momento de grandes contestações à fé que ainda é majoritária no mundo. Não teme estar relativizando a própria crença e reduzindo-a ao lugar comum que diz que “todos os caminhos levam a Deus”?

DESMOND TUTU – O cristianismo é relativamente novo no cenário do mundo – tem pouco mais de 2 mil anos. Compare-o, por exemplo, ao hinduísmo, ao budismo e ao judaísmo. Quem Deus teria sido antes do advento do cristianismo? E qual teria sido o lugar do judaísmo, uma vez que o cristianismo aceita em grande parte o que está contido na Bíblia hebraica como verdadeiro? Nenhuma religião possui toda verdade sobre Deus. Ele é infinito, e toda religião é, em medida insignificante, uma construção humana, de modo que não devemos nos envergonhar de aprender com outros. Nós seres humanos somos finitos e nenhum de nós conseguirá saber tudo sobre Deus, que é a fonte de toda bondade e de toda sabedoria. Podemos verdadeiramente dizer que somente os cristãos são sábios, inteligentes, santos ou bons? Então, o que falar de Mahatma Gandhi, Dalai Lama, Albert Einstein etc? Ora, Deus nos ama a todos. Cada um de nós é preciso a seus olhos, e cada religião tem percepções valiosas e válidas acerca do mistério de quem Deus é. Os cristãos não possuem o monopólio de nenhuma virtude. Esta é uma das razões pelas quais afirmamos que Deus não é cristão! Todos os seus filhos, sejam eles cristãos ou não, estão qualificados para receberem as muitas virtudes.


O senhor tem sido conhecido como apóstolo da tolerância e da reconciliação. Muitas das causas pelas quais tem se batido, contudo, continuam sem solução. Sente-se frustrado?

É claro que me sinto frustrado. Quando os opressores perceberão que estão sempre ao lado dos perdedores porque este é um universo moral? Por que eles causam tanto sofrimento quando, ao final, serão derrotados? Porém, não é uma frustração que me fará desistir da luta. Rapaz! Eu eu estou do lado vencedor!


A Igreja Anglicana tem sofrido sérios questionamentos ao redor do mundo por conta da ordenação de religiosos homossexuais, que já provocou sérios rachas. Afinal, homossexualidade é pecado? E, neste caso, por que a Igreja tem falhado em encontrar o ponto de equilíbrio entre a denúncia bíblica e o amor e respeito à pessoa do homossexual?

O amor jamais será pecado. Se duas pessoas se amam, isso é algo tremendo – trata-se de uma revelação do amor divino. Há muitas coisas que agora aceitamos e que a Bíblia declara serem erradas. Paulo parece ter aceitado a escravidão e disse que as mulheres não deveriam falar na igreja e que deveriam sempre ter suas cabeças cobertas. E nós o temos rejeitado em tais determinações com veemência. A Bíblia registra que Jesus condenou firmemente o divórcio. No entanto, muitas igrejas permitem que seus membros se divorciem e se casem novamente.


 Como a Igreja Cristã pode oferecer respostas cristãs convincentes em meio a uma sociedade como a ocidental, cada vez mais relativista e avessa a dogmas?

Eu me entristeço que, diante de tantas coisas erradas em nosso mundo tais como a pobreza, a doença, a fome, a corrupção, os distúrbios e as guerras, nós na Igreja estejamos concentrados na questão da sexualidade humana. O Senhor da Igreja deve estar muito triste. Ele que não veio para julgar e sim para salvar o mundo. Muitas pessoas se importam com as coisas do Espírito. Muitos oram, meditam, tentam ser compassivas e sensíveis; porém, são desencorajadas pela Igreja organizada, que gasta uma energia enorme, na maioria das vezes, com coisas que têm muito pouco a ver com o Reino de Deus. Olhem para as manifestações contra a guerra e a injustiça em muitas partes do mundo. Muitos desses manifestantes se sentem desanimados quando lembram que a Igreja está demasiadamente voltada para si mesma.


Lembrando que foram cristãos brancos que instituíram o appartheid, que ações poderiam ser encetadas para a conscientização efetiva dos cristãos acerca da intolerância?

Um perseguidor muçulmano é tão ruim quanto um perseguidor judeu, cristão ou de qualquer outra religião. Pessoas de todas as crenças são boas ou más. Minha esperança é que os adeptos de todas elas pertençam eles a uma comunidade multirreligiosa ou que os seguidores de uma única fé sejam compelidos por sua crença a se opor ao mal e a encorajar o bem.


A Igreja da África é das que mais crescem no mundo. Já se pode falar numa teologia cristã africana?

Desde que os povos africanos compreenderam que não tinham de ser “circuncidados” e se tornarem como os cristãos ocidentais, e sim, que poderiam e deveriam achegar-se a Deus como são. É por isso que o número de convertidos se multiplicou na África; hoje eles podem dançar sem constrangimento, podem tocar seus tambores. Há uma teologia africana vibrante, assim como na América Latina houve uma teologia da libertação viva e que tem nos influenciado.


O anglicanismo, assim como outras confissões históricas, professam o ecumenismo. No entanto, várias das crenças envolvidas no diálogo ecumênico têm diferenças fundamentais. Como fechar essa conta?

O ecumenismo não é apenas possível. Ele está acontecendo. Há iniciativas ecumênicas expressivas. Na África, temos a Conferência Toda a África de Igrejas, com base em Nairóbi [Quênia]. Cristãos trabalham juntos em prol da educação teológica, opondo-se à injustiça, encorajando a ecologia – e não apenas as denominações cristãs estão cooperando de maneira efetiva.

 





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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

JESUS, O ROSTO DE DEUS


DESCOBRIR DEUS    

Jesus é quem melhor experimentou e sabe de Deus.
Quem melhor falou d’Ele e de suas intenções.
Nós, cristãos, cremos que Jesus é o grande sinal da salvação de Deus. Cremos no Deus que Ele nos ensinou a conhecer e a amar. Cremos que Jesus é o Emanuel, o Deus connosco.
Só podemos conhecer a Deus por meio de Jesus Cristo.
Só podemos conhecer a nós mesmos por meio de Jesus Cristo.
Só por Jesus Cristo podemos conhecer a vida e a morte.
Fora de Jesus, nós não saberíamos dizer nem o que é a nossa vida, nem o que é a nossa morte, nem quem é Deus, nem quem somos nós mesmos”.
Ninguém jamais viu a Deus, mas Ele pediu um rosto e no rosto humano de Jesus, Deus voltou o seu rosto para nós e nos olhou com bondade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O professor, o teólogo chato e a vaidade



"Porque na muita sabedoria há muito tristeza;
e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor."
Eclesiastes 1:18

Ter um professor de português como amigo é algo desafiador aqueles que querem exercer o dom da paciência. Principalmente se este for um daqueles que gostam de tudo escrito e falado conforme manda a Gramática. Ter o diálogo interrompido quando alguma palavra foi mal inserida no diálogo ou quando cometemos o "crime" de não fazer corretamente uma concordância verbal é algo que somente quem convive com alguém das Letras, entende. Um simples tweet é ocasião para ser corrigido.

Igualmente é o teólogo. Quem suporta um teólogo corrigindo cada suspiro religioso que possamos emitir? E quando o teólogo é um auto-intitulado "defensor da sã doutrina", a coisa fica feia. As muitas possibilidades de interpretação, raramente são respeitadas e muitas vezes nem são consideradas como possíveis. Estes não suportam assistir uma homilia sem dissecar argumento por argumento bíblico. Até mesmo orar perto desse tipo de teólogo é um constrangimento. Deus me livre de gente assim.

Como teólogo de formação, aprendo muito com meus amados amigos "chatos". Aprendo que o que eu sei não pode ditar os meus relacionamentos do dia a dia. Que o que para mim é de grande valia, para alguém pode não passar de argumentação vazia. Aprendo a respeitar limite do meu saber e do saber alheio. Aprendo a ser menos chato. Aprendo um bocado sobre vaidade, dos outros e minha.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Deus, Arte e Censura






Por Hermes C. Fernandes


Um dos meios mais significantes de expressão é a arte. E quando me refiro à arte, pretendo abarcar todo o leque de manifestações artísticas, desde as artes cênicas, passando pelas artes plásticas, pela música, literatura, etc.

Ao dotar o ser humano de sensibilidade artística, o Criador estava imprimindo nele um dos Seus traços mais marcantes. Deus é o Supremo Artista. Toda a Sua criação é uma grande obra de arte.

Em Efésios 2:10, o apóstolo Paulo diz que “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. A palavra grega traduzida como “feitura” é poiema, que também poderia ser traduzida por “poema”. Que interessante: somos o poema de Deus. Somos uma expressão artística de Deus.

João Calvino, o grande reformador protestante do século XVI, defendia que a arte é um dom de Deus, e que deveria ser usada para glorificá-Lo. E mesmo quando a arte se rebaixa para tornar-se o instrumento de mero entretenimento para o povo, Calvino afirma que este tipo de prazer não lhe deveria ser negado. Quanto mais o homem se aprofunda nas “artes liberais” e investiga a natureza, mais se aproxima “dos segredos da divina sabedoria”.

Sobre isso, escreveu Bavinck (1854-1921):
“A arte também é um dom de Deus. Como o Senhor não é apenas verdade e santidade, mas também glória, e expande a beleza de Seu nome sobre todas as Suas obras, então é Ele, também, que, pelo Seu Espírito, equipa os artistas com sabedoria e entendimento e conhecimento em todo tipo de trabalhos manuais (Ex 31.3; 35.31). A arte é, portanto, em primeiro lugar, uma evidência da habilidade humana para criar. Essa habilidade é de caráter espiritual, e dá expressão aos seus profundos anseios, aos seus altos ideais, ao seu insaciável anseio pela harmonia. Além disso, a arte em todas as suas obras e formas projeta um mundo ideal diante de nós, no qual as discórdias de nossa existência na terra são substituídas por uma gratificante harmonia. Desta forma a beleza revela o que neste mundo caído tem sido obscurecido à sabedoria, mas está descoberto aos olhos do artista. E por pintar diante de nós um quadro de uma outra e mais elevada realidade, a arte é um conforto para nossa vida, e levanta nossa alma da consternação, e enche nosso coração de esperança e alegria.”

E quando falo de arte, não endosso a pretensa distinção entre arte cristã e arte pagã. Concordo com Hermisten Maia Pereira da Costa, que em seu belo texto intitulado “O Espírito Santo na Vida Intelectual e Artística” afirma: “A dicotomia entre “arte cristã” e a “arte pagã” tem contribuído para que os cristãos muitas vezes se distanciem das expressões artísticas, rotulando-as precipitadamente de pagã, sem o devido critério. Por outro lado, e isto é o mais grave, com o nome de arte cristã tem-se pretendido criar um suposto isolacionismo cultural que, na realidade tem sido, em geral, de baixíssima qualidade e, o pior: supostamente para a glória de Deus. Muitas vezes em nome de uma “arte cristã” estamos patrocinando uma “reserva de mercado”, onde a sensatez e o senso crítico não têm vez, visto que neste caso, o que conta é o sentimento, como que este, por si só estivesse acima de qualquer juízo de valor.” 

Michael S. Horton nos adverte com precisão: “Se vamos escrever literatura ‘cristã’ e criar obras de arte e música distintamente ‘cristãs’, deverá ser feito de modo tão plenamente persuasivo intelectualmente e artisticamente que os que não são cristãos ficarão impressionados por sua integridade – mesmo que eles discordem”. 

É o próprio Deus quem capacita pessoas a se expressarem através das artes. Lemos em Êxodo, que Deus escolheu dois homens, Bezalel e Aoliabe, enchendo-os de “habilidade, inteligência e conhecimento, em todo artifício, para inventar obras artísticas, para trabalhar em ouro, em prata e em bronze, em lavramento de pedras de engaste, em entalhadura de maneira, para trabalhar em toda obra fina (...) Encheu-os de habilidade, para fazerem toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do bordador, em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão; toda sorte de obra, e a elaborar desenhos”. Uau! Quanta inspiração Deus deve ter dado àqueles homens!

Porém, de nada adiantaria dar-lhes inspiração, se não lhes fosse dada a liberdade necessária para expressá-la.

Durante a Ditadura Militar, muitos artistas brasileiros foram exilados, porque suas obras eram consideradas subversivas. Um desses artistas foi Caetano Veloso, que amargou um período de exílio na Inglaterra. Alguns dos grandes compositores brasileiros tiveram que expressar sua indignação através de músicas com sentido subliminar. Chico Buarque, por exemplo, tinha suas músicas sistematicamente observadas. Uma de suas músicas com duplo sentido foi “Apesar de Você”:


Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….


Naquele período tenebroso da nossa história, todas as publicações, livros, programas de TV e rádio, eram obrigados a passar pelo crivo de um grupo de censores. Os critérios eram subjetivos e iam desde os aspectos ideológicos e políticos, até os relacionados a costume. Os censores indicavam os trechos, e muitos casos, a obra toda que não poderia ser divulgada. Assim, algumas obras ficavam desfiguradas e sem sentido.

Muitos filmes produzidos naquela época nunca chegaram à telas. Políticos e pensadores foram encerrados atrás das grades. Artistas foram expulsos do País. Sem contar aqueles que simplesmente desapareceram, sem deixar vestígios.

Grande parte da nata intelectual e artística do Brasil ficou impedida de se expressar. Todos perdemos com isso.

A igreja cristã, juntamente com seus líderes, deve estimular a arte e a sua livre expressão. Se houvesse algum tipo de censura religiosa nos tempos bíblicos, provavelmente muitos dos salmos teriam sido editados ou simplesmente descartados. E certamente não teríamos o livro do "Cântico dos cânticos", cujo conteúdo é extremamente erótico, mas nem por isso, deixa de ser espiritual.

Nenhum líder religioso tem o direito de promover qualquer tipo de censura. Em vez disso, deve oferecer aos fiéis instrumentos, para que saibam apreciar e ao mesmo tempo discernir a mensagem que o artista está tentando passar. E aqui vale a admoestação de Paulo, o apóstolo: Apreciar tudo, e reter o que for bom.



http://www.hermesfernandes.com/2009/01/arte-como-um-dom-de-deus-o-supremo.html