terça-feira, 21 de abril de 2015

Rótulos e Estigmas




Já lhe aconteceu alguma vez de ouvir o nome de alguém e imediatamente junto a este nome lhe vir à mente toda uma ideologia, ideia, causa ou movimento a que este nome possa estar associado? 
E já lhe aconteceu de, por causa desta associação de inúmeros conceitos a determinada pessoa você, ao apenas ouvir este nome se posicionou na defensiva (ou ofensiva) contra o que pudesse ser mencionado a seguir?

É o típico caso de preconceito. Sim, preconceito pois, independentemente da postura que uma pessoa assuma a respeito de determinado assunto, somos seres dinâmicos e passíveis de mudanças, a qualquer momento. 

Qualquer rótulo ou estigma que se lance sobre alguém acaba por cimenta-la debaixo de ideias que, na verdade, sofrem variações constantemente.

Uma postura como essa só nos impede de aprender com o outro e nos coloca numa posição de tirania em relação ao próximo, já que nos damos o direito de determinar os traços principais através dos quais as pessoas são identificadas.

É por isso que por vezes me encontro a ignorar certos comentários, a fim de não me machucar tanto com esses juízos de valor que fazem a meu respeito. 
Não importa o quanto alguém me conheça, nenhuma pessoa tem o direito de me sintetizar em uma palavra, um rótulo, um estigma. 

Tenho tentado, por isso, me policiar nesse sentido e, quando ouço o nome de alguém, tentar não concentrar meu pensamento somente naquilo que sei a respeito dessa pessoa, mas me abrir para as novas possibilidades que ela tem a me oferecer. 

Sente-se desafiado nisso, também? 

Angela Natel (abril/2015)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Traumas que nos põem na defensiva

Impossível ignorar a imagem da menina síria de quatro anos que teria levantado as mãos para o alto como se estivesse se rendendo ao confundir uma câmera fotográfica como uma arma. A imagem comovente foi compartilhada pela fotojornalista Nadia Abu Shaban no Twitter neste mês de março de 2015.
            Uma imagem que nos remete a uma atitude muito comum: a defensiva que as pessoas se colocam devido aos traumas experimentados, as dores que vêm à tona com a lembrança de um ato de violência, de um abuso, da violação de um direito humano. Quantos de nós já não levantamos nossas defesas e nos sentimos vulneráveis numa simples conversa, quando uma sobreposição de imagens se forma em nossa mente e o que estamos vivendo se parece com alguma circunstância que no passado veio a nos ferir. Diante de uma situação de vulnerabilidade, duas podem ser as reações: se nos vemos impotentes, erguemos nossas mãos em rendição, entregamos nossos valores e nos abandonamos à deriva da situação ou, se nos consideramos fortes o suficiente, erguemos nossos muros de proteção e lançamos todo tipo de contra-ataque, seja com palavras e argumentação racional, seja com atitudes ou até mesmo rebatendo em violência.
            Tudo isso não passa da mesma circunstância: os traumas que nos põem na defensiva e nos impedem de enxergar no outro uma atitude pacificadora, uma tentativa de estabelecer um vínculo, uma relação. Perdemos muito quando, por exemplo, numa discussão, enquanto o outro fala, já pensamos numa resposta, sem o mínimo esforço em primeiro ouvir e realmente compreender o que o outro quer dizer com suas palavras. Perdemos muito quando supomos antes de perguntar para esclarecer, quando nos entregamos aos traumas e somos levados pelas ondas das emoções calejadas, quando não baixamos as defesas nem arriscamos estender a mão ao invés de levantá-las.
            É triste e profunda a reação que uma imagem como a publicada pela jornalista pode provocar e, como seres ainda humanos que somos, precisamos atentar para nossas atitudes, não somente no sentido de evitar causar tais traumas ao outro, nem apenas em socorro aos que já sofrem nestas circunstâncias, mas também olhando no espelho do próprio coração e perceber quando somos mais guiados por traumas nas relações passadas do que pela vida que há na experiência do relacionamento interpessoal que se nos apresenta diariamente no presente.
            Vale aqui a reflexão, ainda que simplória, de cuidarmos em nos abster dessa escravidão emocional que nos obriga a constantemente tentar provar algo para alguém, de nos livrar desse vício desesperado por sempre sair com as respostas, de sempre ter razão, essa luta por não ser mais machucado – que não passa de simples medo. Um exemplo como este da menina síria reflete o que se encontra no coração de toda a humanidade, revela as feridas que nos impedem de estabelecer vínculos saudáveis, de amar e se entregar incondicionalmente.
            Que nesta páscoa, uma festa celebrada por mais de um credo religioso, seja um tempo para todos nós refletirmos a respeito desse medo de nos entregarmos ao outro, desse trauma que nos impede de largar os argumentos tão cerrados em nossos lábios. Que, como o próprio sentido da páscoa – pesach/passover – assim como o anjo da morte passou por cima das casas dos hebreus no Egito e não afligiu com morte seus primogênitos, possamos passar por cima destes traumas e não atentar contra a vida do bem mais precioso do coração alheio. Que, com liberdade possamos olhar nos olhos do outro e não mais enxergar as dores que sofremos no passado, mas sejamos livres em amar e nos deixar amar, em repartir e estabelecer vínculos para a eternidade.
            Feliz páscoa a todos os que desejam esta liberdade.
                           Angela Natel


Março/2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Denúncia:



Nome: Hezequiah Okon Ekipma, 7 anos.

Acusação: fazia adoecer outras crianças, por bruxaria.

Punição: seu pai o deixou sem comer até extrair uma confissão e depois foi levado à floresta por seu irmão mais velho para ser decapitado.

Redenção: escapou e foi direcionado para o orfanato.

Em muitos países africanos, acusações de bruxaria são exploradas por igrejas carismáticas ou pentecostais. A perseguição às bruxas tem se tornado um "negócio" lucrativo para muitos pastores-profetas. As ações dos pastores-profetas complementam aquelas dos curandeiros tradicionais. (Os village doctors).

Fonte: UNICEF 2010

Imagem do Diário Fotográfico "Missão Salvar Crianças-Bruxas". Caminho Nações. (Edição esgotada)

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